quinta-feira, 31 de julho de 2008

Informação, faça dela sua arma.


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Empresas fazem testes em animais por comodismo.

Empresas fazem testes em animais por comodismo, diz ativista

Brasília - O comodismo é o fator principal que faz com que as empresas continuem usando animais em testes toxicológicos, já que existem outras formas mais eficientes de testar produtos, diz Nina Rosa Jacob, fundadora do Instituto Nina Rosa, entidade que promove o bem-estar animal e o consumo sem crueldade.

“Enquanto não houver uma mobilização, enquanto a sociedade não boicotar esses produtos e deixar as empresas saberem que queremos produtos éticos, isso não vai mudar”. Ela sugere que os consumidores liguem para os fabricantes dos produtos que utilizam no dia-a-dia indagando se são testados em animais. “Em caso positivo, o consumidor deve fazer a empresa saber da sua indignação e informá-la que vai deixar de usar aqueles produtos. Os fabricantes devem saber que queremos produtos éticos e que não vamos mais tolerar esses abusos com animais”, afirma.

O presidente da entidade ambiental Projeto Esperança Animal (PEA), Carlos Rosolen, afirma que há alternativas, mas existem interesses econômicos que fazem com que essa prática seja mais difícil de ser combatida. “A indústria de testes em animais pressiona para que eles continuem existindo. Isso vai desde a captura de animais na natureza até indústrias de medicamentos, anestésicos e equipamentos cirúrgicos utilizados nos testes”, diz.

No entanto, o presidente do PEA comemora o fato de que, atualmente, os técnicos da área da saúde estão se convencendo da pouca eficácia dos testes com animais. “Se gasta muito dinheiro e se perde muito tempo testando produtos em organismos que não são os dos seres humanos. E quando se vai aplicar isso na prática, os testes têm que ser refeitos”, afirma. Segundo ele, o que está em jogo não é mais apenas a questão filosófica do direito de uso dos animais, mas também a produtividade desse tipo de teste.

A Lei 9.605, de 13 de fevereiro de 1998, estabelece que as experimentações em animais são ilegais quando existir outra forma de fazer os testes. No artigo 32, a lei determina multa e detenção de três meses a um ano para quem realizar experiência dolorosa ou cruel em animal vivo, ainda que para fins didáticos ou científicos, quando existirem recursos alternativos. A pena é aumentada de um sexto a um terço se ocorrer a morte do animal.

Sabrina Craide
Repórter da Agência Brasil

Cadela encontra recém-nascido em Minas



Repassando notícia da Agência Estado

Um recém-nascido foi salvo na madrugada desta quarta-feira por uma cadela após ter sido abandonado em um lote vago na cidade de Santo Antônio do Monte, região centro-oeste de Minas Gerais, a 185 quilômetros de Belo Horizonte. A cadela mestiça Xuxa se tornou a atração do bairro Nossa Senhora de Fátima por ter encontrado e arrastado até a calçada a caixa de papelão em que o bebê estava. O menino foi encontrado sujo de sangue e ainda com o cordão umbilical.

De acordo com vizinhos, a dona da cadela, Maria Luzia Campos, de 27 anos, acordou com os latidos do animal. Estranhando o comportamento de Xuxa, a mulher decidiu abrir o portão.

A cadela saiu em disparada, atravessou a rua e entrou no lote vago, de onde saiu puxando pela boca e empurrando com o focinho a caixa de papelão. Quando percebeu que se tratava de uma criança, Maria Luzia chamou o vizinho Valdeci Antônio da Silva, de 35 anos, que acionou a Polícia Militar (PM).

Na opinião de Valdeci, a ação da cadela foi providencial para a sobrevivência do bebê. "A gente não sabe quanto tempo a criança ficou lá no sereno. Estava bem frio aqui e se não fosse a cadela, não tínhamos achado naquela hora e ela podia não ter sobrevivido"
, disse.

Maria Luzia contou que só quando chegou perto da caixa de papelão conseguiu escutar o choro do recém-nascido.

O bebê foi levado para a Santa Casa da cidade, onde permanecia internado. Seu estado de saúde é considerado estável, segundo a psicóloga Janaína Machado.

O recém-nascido chegou ao hospital com 44 centímetros e pesando 2,620 quilos. Ele passou por uma incubadora e depois foi colocado em um berço aquecido. O menino passará por todos os exames clínicos e iniciou uma dieta nutricional. A Polícia Civil informou que vai instaurar inquérito para investigar o caso. Não há informações sobre o paradeiro da mãe.

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Consuma sem culpa: chocolates Hershey's

Legenda da Foto: Ativistas do Greenpeace recolheram chocolates da Hershey's durante a Semana do Consumidor para pressionar a empresa a informar ao consumidor sobre o uso de matéria-prima transgênica em sua produção.


São Paulo (SP), Brasil — Empresa se compromete a usar apenas ingredientes sem organismos geneticamente modificados em seus produtos.

O consumidor brasileiro já pode consumir chocolates da Hershey's sem culpa. A empresa enviou carta ao Greenpeace se comprometendo a usar apenas ingredientes livres de transgênicos na fabricação de seus produtos. Segundo o documento assinado pelo diretor geral da empresa no Brasil, Aluizio Periquito Neto, a Hershey's agora passará a usar ingredientes de fornecedores que garantem matéria-prima livre de transgênicos.

"A postura da Hershey's mostra sua preocupação com o desejo do consumidor e gera um efeito dominó em toda a cadeia produtiva, porque obriga os fornecedores a trabalhar com produtos que não causem danos ao meio ambiente. Fornecedodres que nao se adequam às vontades dos clientes tendem a perder mercado, como aconteceu com a Cargill neste caso", afirma Gabriela Vuolo, coordenadora da campanha de Engenharia Genética do Greenpeace.

A Cargill era uma das principais fornecedoras de matéria-prima da Hershey's, mas ao não garantir ingredientes como óleos e lecitina de soja e gordura vegetal livres de transgênicos, foi substituída pelas empresas Brejeiro e Imcopa - ambas presentes na lista verde do Guia do Consumidor do Greenpeace.

O Guia relaciona os produtos que usam ou não matéria-prima transgênica. Com o compromisso assumido pela Hershey's, o guia conta agora com 74 empresas na lista verde e 32 na lista vermelha.

O Guia do Consumidor do Greenpeace vem ajudando, desde 2002, os consumidores brasileiros a se informarem sobre a real composição dos produtos vendidos no país. Mais de 100 empresas de alimentos foram contatadas e questionadas sobre a utilização de ingredientes transgênicos em seus produtos. As empresas que não respondem ou que não fazem controle adequado para evitar a contaminação por matéria-prima geneticamente modificada são listadas na lista vermelha do guia.

O Greenpeace vinha pressionando há quatro meses para que a Hershey's informasse a procedência da matéria-prima que usava em seus chocolates. Em março, durante a Semana do Consumidor, às vésperas da Páscoa, ativistas do Greenpeace foram a um supermercado de Porto Alegre e recolheram ovos e barras de chocolate das empresas Hershey's e da Garoto, exigindo mais informações nos rótulos dos produtos sobre o uso ou não de matéria-prima transgênica. Os chocolates foram lacrados em um tonel e enviados às empresas uma semana depois. Até o momento, a Garoto ainda não se manifestou, deixando seus consumidores sem informações adequadas sobre o uso de transgênicos.

"É fundamental que as empresas informem o consumidor se estão usando ingredientes transgênicos para fabricar seus produtos", afirma Vuolo, coordenadora da campanha de engenharia genética do Greenpeace. "O direito à informação está previsto na lei e não pode ser negado aos brasileiros. A Garoto continua assim desrespeitando os consumidores do país."

Fonte: GreenPeace

Moratória da soja: um exemplo de produção.

Manuas (AM), Brasil — Acordo completa dois anos e obteve avanços significativos, mas ainda há desafios a enfrentar para acabar com destruição da floresta.

A moratória da soja completa dois anos nesta quinta-feira e, na avaliação dos diversos setores envolvidos, os avanços são significativos. Mas há desafios que precisam ser encarados com o rigor que merecem para que seja possível acabar com o desmatamento na Amazônia.

No mês passado, a indústria da soja anunciou a extensão da moratória até julho de 2009. No evento, o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, se comprometeu a apoiar a moratória da soja, priorizando o cadastro rural nos municípios produtores de soja.

Além de ter colocado diferentes atores da sociedade na mesma mesa de negociação para articular formas de produzir sem destruir a floresta, a iniciativa é um exemplo do poder que os consumidores têm de demandar boas práticas. Afinal, foi através da pressão das indústrias de alimentos consumidoras de soja que as traders que operam no Brasil anunciaram a moratória.

A extensão da moratória foi apoiada pela Aliança das Empresas Consumidoras, da qual participam o Macdonald’s, o Carrefour, a Sadia e o Wal Mart, entre outras. “Nós elogiamos o progresso positivo do Grupo de Trabalho da Soja - responsável pela implementação da moratória - nos últimos dois anos e reconhecemos que muito já foi alcançado. No entanto, nós concordamos que o processo precisa continuar. (...) Esperamos que a moratória continue em vigor até que todos os compromissos tenham sido alcançados”, afirma nota das empresas.

Para o Greenpeace, os principais desafios da moratória neste próximo ano são: a realização do cadastro e licenciamento ambiental das propriedades rurais - responsabilidade a ser partilhada pelo setor da soja e pelos governos estaduais e federal; a ampliação do sistema de monitoramento para incluir mecanismos de rastreabilidade; e assegurar que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) disponibilize o mapa do bioma Amazônia na escala 1:100.000, para a definição das propriedades rurais que estão dentro do bioma.

“É preciso dar nome aos bois. O cadastramento das propriedades rurais permite identificar quem é o responsável pelo desmatamento e separar estes produtores daqueles que acreditam que é possível produzir sem desmatar”, afirma Tatiana de Carvalho, da Campanha Amazônia do Greenpeace.

No início deste ano, o Grupo de Trabalho da Soja realizou o primeiro monitoramento sobre o progresso da moratória e concluiu que a mais recente safra de soja (2007/2008) não veio de novos desmatamentos na região. Mas a verificação de campo realizada pelo Greenpeace, de dezembro de 2007 a março de 2008, constatou que, apesar de ainda não terem sido ocupados pela soja, vários destes desmatamentos ocorreram dentro de fazendas produtoras do grão.

“Na próxima safra podem começar a aparecer casos de produtores que plantaram soja em áreas desmatadas após julho de 2006. O monitoramento dessas áreas vai resultar em um desafio para a indústria: excluir de sua lista de fornecedores aqueles produtores que não respeitaram a moratória, garantindo assim o direito do consumidor de não comprar produtos que causem a destruição da floresta. Esta é a lógica da moratória ”, conclui Tatiana.

Inspirado nesta inciativa, o governo federal, anunciou em Belém na semana passada, o Pacto pela Madeira Legal e Sustentável.

Fonte: GreenPeace

Resposta ao comunicado do CRMV/SP


O presidente do Conselho Regional de Medicina Veterinária de São Paulo divulgou um "Comunicado à Sociedade" no site http://www.crmvsp.org.br afirmando que aquela instituição jamais defendeu a matança indiscriminada de animais recolhidos aos CCZs e que o mandato de segurança impetrado pelo Conselho contra a Lei Estadual nº 12.916/2008, que proíbe esta matança, tem outros objetivos.
Reproduzimos abaixo a resposta do Deputado Estadual Feliciano Filho, autor da lei, em publicada dia 25/07/2008.

INDIGNAÇÃO E PERPLEXIDADE

(mensagem extraída de
http://www.felicianofilho.com.br/noticias.asp?id=115)

É com grande perplexidade e indignação que recebi a notícia de que o CRMV/SP (Conselho Regional de Medicina Veterinária), na pessoa de seu presidente, Dr. Francisco Cavalcanti de Almeida, impetrou um mandato de segurança com o objetivo de conseguir uma liminar para voltar à prática arcaica e cruel que é a matança indiscriminada dos animais nos Centro de Controle de Zoonoses, Canis Municipais ou Congêneres do estado de São Paulo.

Fiquei perplexo porque o CRMV, representado pelo Dr. Francisco, participou da elaboração desta lei, onde, inclusive, acatamos todas as sugestões e reivindicações desta entidade de classe, bem como participaram, também, da elaboração e deram sugestões a Associação dos Veterinários do estado de São Paulo, e a ANCLIVEPA –SP (Associação Nacional de Clínicos Veterinários de Pequenos Animais), ambas representando a classe veterinária, além de termos debatido exaustivamente com as entidades protetoras dos animais, adestradores, criadores, cinofilia do estado de São Paulo. Enfim, todo o segmento foi ouvido.
Estou indignado por que esta decisão de entrar com esse recurso no judiciário partiu de pouquíssimas pessoas. A grande maioria dos veterinários que compõem este órgão é favorável a lei 12.916/08. A certeza disso advém do mapeamento que estamos realizando nos 645 municípios do estado, onde temos tido notícia de que 90% dos municípios estão cumprindo a lei, ou se reestruturando para cumpri-la, e também pelas manifestações espontâneas que temos recebido de todo o seguimento.
O nosso trabalho, como não poderia ser diferente, é totalmente ligado a classe veterinária, por isso viramos um catalisador do sentimento desta classe. Com raras exceções de alguns maus profissionais que não querem realmente trabalhar, a grande maioria esmagadora está aplaudindo a nova lei, não, apenas, por se tratar do rompimento com o arcaico, com a incompetência, com a crueldade, mas por saber que agora temos um novo paradigma que optou pela coerência e bom senso.
Com esta nova lei os maiores beneficiados, além dos animais, serão os médicos veterinários, pois serão eles que terão uma demanda de trabalho, que hoje está reprimida por políticas públicas inadequadas, que começarão a surgir de forma muito mais forte e mais rápida para atender a adequação desta nova lei, ou seja, os veterinários agora irão ter muito mais trabalho castrando e identificando os animais da população carente, que jamais seriam seus clientes.
A lei 12.916/08 autoriza o governo do estado a fazer convênio com os municípios, faculdades, clínicas veterinárias e entidades de proteção animal para a consecção de seus objetivos. Devemos lembrar que a questão dos animais não e só uma questão humanitária, mas também de saúde pública, meio ambiente e de respeito ao dinheiro público.
A lei 12.916/08 institui uma nova política pública para a problemática dos animais, ou seja, ela é uma política de governo e, assim sendo, o interesse público jamais poderá se subordinar ao interesse particular de algumas pessoas.
As Organizações Mundial e Pan-americana de Saúde preconizam que a melhor maneira que se tem de fazer o controle populacional dos animais é através da castração por saturação e da identificação sistemática dos animais. Como já ficou provado no mundo todo, quanto mais se retira os animais das ruas, mais eles se multiplicam. A capacidade de retirada desses animais dificilmente ultrapassa a 15% da população que perambula pelas ruas. Toda vez que o poder público sai nas ruas retirando os animais só piora a situação, pois sobram mais alimentos para aqueles que ficam e assim eles ficam mais fortes, mais férteis e, com muito mais fecundidade, começam a procriar e esta procriação se dá de forma geométrica.
Confio muito no discernimento do Poder Judiciário. Acredito que, de forma alguma, o Judiciário se posicionará contra a vida, contra o clamor popular e favorável a crueldade e de algumas poucas pessoas com interesses escusos.

Dep Feliciano Filho



Assessoria

O Dep. Feliciano Filho, foi eleito Deputado Estadual pelo Estado de São Paulo, para defender principalmente as causas relacionadas à PROTEÇÃO ANIMAL.

Acima de tudo ele é um Protetor de Animais.

É também presidente da UPA em Campinas, uma ONG que cuida de 250 animais resgatados de Abandono e Maus Tratos.

Você pode ver alguns de seus resgates nos links abaixo.
Blog
http://felicianofilho.zip.net

Fotoblog
http://felicianofilho.nafoto.net

Orkut
Feliciano Filho

Resgates UPA
http://www.upanimais.org.br/resgates/videos.asp

Programa Planeta Bicho
http://www.upanimais.org.br/planetabicho/index.asp

[INR] DVD Não Matarás - Preço Reduzido‏


Quando você toma um remédio, sabe como ele foi criado? Quando você passa batom, sabe realmente o que está colocando em seus lábios? Lanolina, queratina, ácidos graxos... de onde vêm as substâncias que deixam seus cabelos macios e sua roupa ainda mais branca?

A cada dia, o consumidor tem produtos novos à sua disposição nas prateleiras do supermercado. O apelo ao consumo é cada vez maior e os lançamentos sempre vendem uma nova fórmula mágica. Mas o que acontece para que esses produtos tenham seu consumo permitido?

Por trás dos rótulos atraentes e das promessas de efeito miraculosos está o sofrimento de milhões de animais que serviram como cobaias dos testes. Os resultados - cada dia mais contestados - são extrapolados para humanos, e sua eficácia está sendo cada vez mais questionada. Eles são seguros? Até quando casos como o da talidomida continuarão a acontecer? Os testes que põe em risco a sua saúde e ceifam a vida de milhões de animais são justificáveis?

Este é o tema principal do documentário "Não Matarás - os animais e os homens nos bastidores da ciência", um olhar abrangente sobre o sistema que mata mais do que salva. O uso de animais no ensino, o medo dos estudantes em expressar sua rejeição a esses métodos cruéis, a continuidade de um pensamento acadêmico já ultrapassado.

Filósofos, cientistas e ativistas revelam o que é mantido em segredo. Depois de saber, você não será mais o mesmo.
Cor, 65min, 2006. Menus interativos em português, inglês, espanhol e francês.




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Novo preço: R$15,00
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Instituto Nina Rosa - projetos por amor à vida
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terça-feira, 29 de julho de 2008




12o Festival Vegano Internacional

Veganismo: um estilo de vida revolucionário

22 a 25 de julho de 2009 - PUC-Rio

O mundo clama por paz, respeito, dignidade. O meio ambiente está sendo impiedosamente dizimado e dá o seu troco. Os recursos naturais se esgotam diante da exploração insustentável e perdulária imposta por um modo de vida consumista. Perdemos a diversidade das espécies sem nem mesmo conhecê-la. Há doenças, obesidade, sofrimento, fome.

Depois de tantos anos de ideário 'paz e amor', 'igualdade entre gêneros e etnias', 'liberdade de expressão' e 'respeito à natureza' ainda engatinhamos, delegando a outros essa tarefa. Ao mudar nosso estilo de vida podemos desempenhar um papel fundamental na construção desse mundo melhor que todos queremos, onde a pomba branca da paz tenha onde pousar seus fatigados pés.


Saiba mais: AQUI

Ataque de onça-parda. Leia..

Ataque de onça-parda preocupa criadores de ovelhas em MT

Segundo biólogos, felinos estão no período de acasalamento e em busca de comida.
Ibama informou que não autoriza a captura do animal.
Criadores de ovelha do município de Santo Antônio do Leverger (MT) estão preocupados com ataques de onça-parda, animal também chamado de puma ou suçuarana. Em uma única propriedade, mais de 20 animais foram mortos.

Na chácara de 120 hectares, o professor universitário Jackson Pacheco decidiu há três anos criar ovelhas. As fêmeas, registradas, podem valer até R$ 3 mil cada. O negócio ia bem até que um quarto do rebanho amanheceu morto, vítima do ataque de um animal.

Leia mais em: G1

Verdes radicais representam risco...

Verdes radicais representam risco para os negócios


Estudo da Ernst & Young mostra que o veganismo está entre os 10 maiores problemas que afetam as vendas de um produto

Leda Rosa

São Paulo

Valeska Velloso, advogada de 32 anos, moradora de Ipanema, lê o rótulo de qualquer produto novo antes de usar. Na dúvida, liga para a empresa. Se houver um único item de origem animal, Valeska avisa à atendente que lamenta mas não voltará a comprar o produto enquanto a substância constar na composição. Valeska é uma típica radical greening, consumidor detectado pelo estudo Os 10 maiores riscos para os negócios, da consultoria Ernst & Young.

Leia o resto da matéria: AQUI

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Vire vegano já


Vire vegano já...



Quantos veganos são necessários para mudar uma lâmpada?
Nenhum. Veganos não mudam nada.

Como você pode ver, nós veganos também temos senso de humor. Imagino que esta piada foi criada por um vegano cansado de dar explicações. Mas creio que seja apenas uma ironia, pois na verdade não cremos nisso:

Um vegano é a mudança em si.

E existem duas formas de se criar um vegano: Convencendo um onívoro (ou ovo-lacto-vegetariano) ou fazendo sexo entre vegans.

Como a segunda forma é mais divertida, passamos 90% do nosso tempo aprimorando-a, graças a nossa dieta rica em alimentos afrodisíacos. No tempo que sobra, escrevemos estes textos ou panfletamos na rua em pleno verão de Porto Alegre, para convencê-lo.

E porque queremos mais veganos? Sem piadas agora: Porque queremos mudar o mundo!

Quantos veganos são necessários para mudar o mundo?
Um. Um de cada vez.

E para ajudar você a tomar essa decisão, escrevemos tudo o que você precisa saber:


LEIA TUDO SOBRE VEGANISMO AQUI

domingo, 27 de julho de 2008

MTV DEBATE - NESTA SEGUNDA...

MTV DEBATE - USO DE ANIMAIS EM EXPERIMENTOS CIENTÍFICOS

O biólogo Sérgio Greif, o advogado Daniel Braga Lourenço e a jornalista Silvana Andrade estarão debatendo com vivisseccionistas sobre o uso de animais em experimentos científicos.
Nesta seguinda-feira, 28 de julho, às 22h, na MTV - ao vivo!

Sua alimentação não precisa disso.


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sábado, 26 de julho de 2008

'Colecionadora' de bichos amontoava 117. Leia..

Mulher foi presa quando roubava ração para os animais.
Sua casa cheirava a urina e o chão estava coberto de fezes.
Uma mulher de 54 anos foi detida na quarta-feira (23) sob acusação de roubar ração para gatos. A polícia de Council Bluffs (Iowa, EUA) chegou então à casa dessa mulher, que tinha 117 gatos, um guaxinim e um coelho.

Segundo os oficiais que estiveram no local, a residência cheirava a urina de gato e o chão estava coberto de fezes. Alguns dos animais estavam doentes e outros, mortos.

Essa não é a primeira vez que essa mesma mulher enfrenta problemas por ter muitos gatos. Em outra ocasião, foram resgatados de sua casa 200 desses bichos.

Ela responderá na Justiça por maus tratos a animais e também a outras acusações.

Fonte: G1

EDUCAÇÃO HUMANITÁRIA

O Chamado das Árvores


Saiba Mais...

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Estudante cria Complexo de Golgi artificial...

Estudante cria Complexo de Golgi artificial para pesquisa de novos medicamentos.

Um estudante de graduação do Instituto Politécnico Rensselaer, nos Estados Unidos, desenvolveu um biochip capaz de construir moléculas de açúcar complexas e altamente especializadas, imitando o funcionamento de uma das mais importantes estruturas celulares do organismo humano, o Complexo de Golgi.


Complexo de Golgi artificial

O Complexo de Golgi é uma organela celular que finaliza o processo de síntese das proteínas, recobrindo-as com açúcares em arranjos altamente especializados. A molécula acabada, recoberta com os açúcares, é então despachada para a célula para ajudar na comunicação celular e na determinação da função da própria célula no interior do organismo.

O Complexo de Golgi artificial, construído por Jeffery Martin, funciona basicamente da mesma forma. O biochip se parece com um tabuleiro de xadrez, onde os açúcares, enzimas e outros materiais celulares básicos são suspensos em água, podendo ser transportados e misturados aplicando-se uma tensão elétrica nos quadros de destino do tabuleiro.


Novos medicamentos

Esse processo permite a construção de açúcares de forma automatizada, utilizando uma ampla variedade de enzimas encontradas no Complexo de Golgi natural. Eles podem então ser testados em células vivas, seja no interior do próprio biochip ou em outros equipamentos no laboratório, de forma a se determinar seus efeitos.

Com a capacidade oferecida pelo biochip, de processar inúmeras combinações de açúcares e enzimas, de forma rápida e automatizada, os pesquisadores poderão acelerar o processo de descobrimento de novos compostos químicos e de novos medicamentos.


Produção de heparina

Um dos campos promissores de utilização do novo biochip é na produção de heparina, um ácido produzido naturalmente no Complexo de Golgi, e um importante medicamento anticoagulante.

A principal fonte de heparina hoje são os intestinos de porcos, animais que também produzem o composto naturalmente. Artigos científicos recentes, contudo, alertaram sobre o risco de contaminação da heparina quando ela é extraída de animais. Por isso, cientistas do mundo todo estão trabalhando contra o relógio em busca de formas de produção da heparina que evitem sua contaminação.



Fonte:
Inovação Tecnológica

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Importante manifesto a favor da vida...

Particepe!


VOCÊ PODE FAZER A DIFERENÇA COM APENAS 2 CLIQUES.



Importante manifesto a favor da vida estão querendo voltar com as mortes na carrocinha.



Eu Digo Não para as Mortes nas Carrocinhas

Prezado Dr. Francisco Cavalcanti de Almeida, Presidente do CRMV-SP

Gostaria de manifestar meu profundo desapontamento com a tentativa dessa entidade, representada por V.Sa., em retomar o processo cruel, danoso e oneroso de execução de animais sadios.

O estado de São Paulo deu um passo importante na Valorização da Vida, conceito que parece ter sido esquecido pelos senhores nessa ação de retrocesso.

Apoiarei com todas as forças a manutenção da Lei 12.916, de autoria do Deputado Feliciano Filho-PV, no estado de São Paulo, e manifestarei esse mesmo apoio ao Exmo. Dr. Desembargador, que, de forma brilhante, negou o pedido de Liminar feito pelo CRVM-SP.


Leia Mais...






O Instituto Nina Rosa disponibilizou no site Youtube todas as suas produções:

Lá você encontrará o títulos:
  • Aprendendo a Cuidar
  • Criando um Amigo
  • Fulaninho, o Cão que Ninguém Queria
  • Não Matarás - os Animais e os Homens nos Bastidores da Ciência
  • O Gato como Ele É
  • Olhar e Ver
  • Vida de Cavalo
A exceção é o vídeo A Carne é Fraca, que pode ser encontrado em 2 partes nos seguintes endereços:
Exemplares dos vídeos em DVD (imagens com melhor resolução) podem ser aquiridos em nossa "Loja Virtual", em www.institutoninarosa.org.br.



ATENÇÃO!
Veja informações sobre copiagem e exibição pública dos vídeos do INR em

Segunda Semana da Proteção Animal. Leia..

Quando: De 11 a 14 de agosto de 2008, a partir das 19:30h,
Onde: Anclivepa - Av. Faria Lima 1616, 11° andar.


Palestrantes


Laerte Levai - Promotor Público:
Libertação Animal, história e perspectivas.


Viviane Cabral - Advogada e Assessora Parlamentar:
Direito dos Animais, questões práticas, legislação e poder público.


Agostinho Ogura - Geólogo, Instituto de Pesquisas Tecnológicas:
Quem cuida dos animais em casos de acidentes naturais e tragédias.


Sheila Waligora - Veterinária e Escritora:Comunicação entre Espécies.
Aprenda a entender o que seu paciente quer lhe dizer.


Regina Macedo - Jornalista e Assessora Parlamentar:
Entenda a Lei que controla o comércio de cães e gatos no municipio de São Paulo.


Fowler Braga - Engenheiro e fundador do Projeto Focinhos Gelados:
A importância da educação na guarda responsável.


Thales Trez - Biólogo:
A verdadeira face da experimentação animal.


Marco Antonio Gioso - Veterinário e presidente da Anclivepa-SP:
Terceiro Setor, como fazer sua organização gerar recursos e ficar mais forte.


Francisco Cavalcante - Veterinário, Presidente do Conselho Regional de Medicina Veterinária de SP.Qual a inserção dos Veterinários no Proteção Animal. Pontos positivos e questões éticas.


Confira também o famoso Coffe Break totalmente Vegano.
Valor: R$ 30,00 para sócios e R$ 40,00 para não sócios.


Confirme sua inscrição pelo e-mail bemestar@anclivepa-sp.org.br e efetue pagamento apenas no dia da palestra.


Fonte: Vista-se

Quem é o responsável pelo lixo? Leia...

Quem é o responsável pelo lixo gerado com o consumo?


Tudo que compramos para o nosso dia-a-dia se tornará resíduo no futuro. Seja a garrafa PET que facilitou o consumo do refrigerante, a caixinha que acondicionou o tubo de creme dental ou a pilha do controle remoto, enfim, todas essas coisas, quando não tiverem mais nenhuma utilidade, serão descartadas como resíduo.

Especialistas em todo o mundo vêm buscando formas e alternativas para que esses resíduos sejam reaproveitados da melhor maneira possível, evitando assim o seu acúmulo em aterros, lixões, ou que sejam abandonados no meio ambiente. No entanto, dados divulgados pela organização indiana Centre for Science and Environment (CSE) exemplificam o quanto a população do planeta gera de resíduos. Segundo a pesquisa, a cada ano, cerca de 2,5 bilhões de fraldas são descartadas
pelos britânicos, 30 milhões de câmeras fotográficas descartáveis vão para os cestos de lixos japoneses e 183 milhões de lâminas de barbear e 2,7 bilhões de pilhas e baterias são destinadas aos lixões norte-americanos.

Ao contrário do que deveria ser, o poder de consumo vem crescendo de forma vertiginosa e, à medida que aumenta, o tempo de vida dos produtos diminui, trazendo como conseqüência um acúmulo absurdo de resíduos. Só para se ter uma idéia, em 1985, a cidade de São Paulo produzia diariamente pouco mais de quatro toneladas de lixo; quinze anos depois, em 2000, este número saltou para 16 mil toneladas por dia.

Agora, pare e pense: quem é o principal responsável por todo esse resíduo gerado pelo consumo? As indústrias, por introduzi-los no mercado; o comércio, por vendê-los; ou você, consumidor, por escolher comprá-los? Se você respondeu os três, acertou. É por isso que a responsabilidade pós-consumo de resíduos é tão urgente nos dias de hoje.

Apesar de ser dedicada mais aos fabricantes, comerciantes e importadores, todos têm a sua parcela de responsabilidade sobre os resíduos gerados pelo consumo: sejam os consumidores reduzindo a quantidade de embalagens e produtos descartáveis no momento da compra; as indústrias e o comércio, que fomentam o consumo de embalagens, reduzindo ao máximo o uso de descartáveis; e o poder público, criando mecanismos que contribuam para a destinação adequada dos resíduos. Só assim haverá uma maior eficiência em todo o processo.

Leia Mais...

Fonte:
Revista Ambiente Urbano

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Campanha: Outdoor Explorinter e mias, leia a seguir.

Venha nos ajudar a protestar contra a maior feira da exploração animal: a Expointer. Ajude a levar esta mensagem para as ruas de Porto Alegre!

Leia Mais.

Todas informações sobre o protesto.
http://www.explorinter.com.br/




O que há de errado com a expointer?

A Expointer é uma feira em que se expõe e comercializa animais, dentre outras coisas. Animais são vendidos, comprados, leiloados assim como tratores, chapéus, redes e utensílios domésticos.
Porcos, vacas, galinhas, coelhos, chinchilas, ovelhas, passarinhos, cavalos são tratados como produtos. No entanto, há uma grande diferença deles para uma colheitadeira ano 2008: eles são seres vivos capazes de sentir dor e prazer, capazes de raciocinar, entender sua situação e meio, sentir medo, angústia, tédio,...
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Nova Campanha de Outdoor


Depois do sucesso - e da polêmica - do primeiro outdoor vegetariano do Rio Grande do Sul, a SVB vai levar novamente a mensagem vegetariana para as ruas! Já arrecadamos todo montante necessário!!! Agradecemos a todos que contribuíram!

O outdoor está localizado na Avenida Prof. Critiano Fischer, em Porto Alegre, próximo à AACD, n°1510, em frente à saída do estacionamento da PUCRS nessa avenida.

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EXPLORAÇÃO DA VIDA

Filber Cristiano Chaves
cpdanimal@gmail.com

Nas sociedades, tanto passadas como presentes, a riqueza e a liberdade sempre coexistiram com a miséria e o desrespeito aos direitos. Esta é a principal contradição, que permanece apesar das leis em contrário, apesar de toda luta e progresso.

De certo modo, não é fácil entender o que é a pobreza, a maneira como atinge o ser humano. Ao menos, para aqueles que gozam de alguma proteção do sistema e vivem com uma razoável sensação de segurança. Ainda que, a cada dia, seja mais claro que as ameaças afetam a todos, alguns mantêm seus lares, seus empregos e suas rotinas dentro de certos padrões de normalidade e bem-estar.

Mas, o que diriam aqueles excluídos, sem a mesma proteção? Como se sente aquela parcela da população – na verdade, a grande maioria – que nunca experimentou o que os padrões vigentes têm como normal? Para estas pessoas, a vida reserva condições precárias de bem-estar, material e psicológico. Pois, na realidade dos grandes centros urbanos, de seus recessos mais ocultos, fome, violência e ausência de perspectivas continuam imperando e agridem tanto o corpo como a mente.

A riqueza, o acesso aos serviços, é um fator primordialmente determinado pela sociedade, assim como a pobreza e o abandono. Suas condições surgiram do processo histórico de exploração, que reservou a poucos benefícios que deviam ser de todos. A sociedade criou e viveu sempre num sistema onde o trabalho das massas sustenta o conforto e o bem-estar de minorias dominantes. Nesse sentido, a sociedade atual contém vestígios da injustiça que caracterizou todas as suas antecessoras.

Mesmo a noção de "sujeito de direito", tão valorizada, esconde muito de injustiça. Traduz a concepção do ser humano como possuidor de direitos inalienáveis, tais como a vida, a dignidade, a realização de seus potenciais. Para garanti-los, a sociedade criou leis e instituições, as quais representam, ou deviam representar, o melhor de um sistema humano e igualitário.

No entanto, como surgiu esta noção? Em seu próprio significado, está oculta a raiz de contradições, que continuam a manifestar-se no dia-a-dia das relações sociais. Basicamente, "sujeito de direito" significa: pessoa que é sujeito de seu próprio direito, ou seja, que atua para exercê-lo e fazê-lo respeitado. Nessa sociedade, vários grupos e indivíduos deram seu sangue, em diversos momentos da História, para exercer seus direitos e exigir que fossem respeitados.

Pode-se dizer que o primeiro direito conquistado foi o de lutar e defender-se contra a exploração. Pois, houve um tempo em que esta era considerada tão comum a ponto de ser uma ofensa, um absurdo!, reagir ou indignar-se. Esperava-se das massas mais pobres que apenas calassem e aceitassem suas condições. No entanto, isto nunca se verificou, tal como as elites queriam. E graus extremos de violência levaram a revoltas inevitáveis.

Assim, teve origem uma luta árdua. Mas, foi apenas há poucos séculos, com certas mudanças na sociedade, que a reação obteve resultados mais decisivos. Até a instauração do sistema industrial, costumes tão antigos como a escravidão ainda estavam presentes. Nesse caso, a crescente demanda da indústria, seja por mão-de-obra, seja por mercados consumidores, tornou importante que os escravos fossem libertos, para serem convertidos em operários assalariados. De modo que houve uma confluência da luta social com profundas mudanças econômicas na própria sociedade.

E muitas mudanças, a partir daí, se seguiram. As várias minorias, pouco a pouco, ganharam força e autonomia. Isto se deu na medida em que se tornaram capazes de protestar e fazer-se ouvir. Com o tempo, a arena de confrontos ampliou-se, chegando aos palanques e aos tribunais. Enfim, leis surgiram, tornando ilegais formas históricas de agressão e contribuindo para a mudança dos costumes.

Assim, cada qual a seu turno, trabalhadores, mulheres, negros, fizeram valer os seus direitos. Foi por causa de seu esforço que o voto, a noção de igualdade, tanto política como social, tornou-se um valor básico da sociedade. Da mesma forma, a liberdade, o acesso aos serviços, foram incorporados à cultura como um avanço – sempre graças à luta de amplos setores, antes marginalizados.

E é por isso que a expressão "sujeito de direito" é tão contraditória. Traduz uma forma de respeito que depende da capacidade do indivíduo lutar contra a exploração. Na verdade, é um conceito nascido no âmago de uma sociedade violenta, em que a violência só foi detida pelo esforço de muitas gerações.

Os direitos humanos nunca foram concedidos por espontânea vontade, mas tiveram que ser conquistados. Ainda hoje, têm que ser mantidos, à custa de incessante vigilância, sob pena de serem "tomados". A sociedade vive ainda à sombra da exploração, que é nossa herança do passado.

Aqueles capazes de lutar são reconhecidos – mas, e os que não podem? Ficam à mercê de manipuladores, relegados a segundo plano por governos, como se vê em muitos países do mundo. Porque ainda não prevalece uma verdadeira noção de direitos humanos, mas sim os interesses de parcelas reduzidas da sociedade, sem maiores compromissos com a coletividade.

Por causa disso, há um grupo de seres vivos para os quais os avanços são escassos. Para os animais, que sempre foram explorados, o debate sobre justiça e igualdade pouco contribuiu, no sentido de melhorar sua situação. E isto acontece ainda quando um movimento crescente luta para defendê-los. Sua realidade é de contínuo sofrimento, imposto das mais variadas formas.

De certo modo, os animais ainda estão na origem daquela escalada histórica, que deu aos seres humanos uma relativa liberdade. Se espanta lembrar que pessoas já foram usadas como animais, devia espantar que animais ainda recebam um tratamento indigno, sejam usados como objetos e privados de liberdade. O motivo dessa situação, que manteve os outros seres vivos isolados, é muito simples e pode ser sintetizado em poucas palavras.

Os animais não são "sujeitos de direito". Perante a lei, são considerados "objetos de direito", assim como os bens materiais, como qualquer objeto. Na verdade, isto traduz a condição de seres que, privados de raciocínio, tal como o dos seres humanos, nunca foram capazes de lutar pelos próprios direitos. Embora hoje contem com a defesa de certas organizações sociais, durante eras este apoio não existiu, e por este motivo sua situação se agravou a um ponto alarmante.

O que revela, com muita clareza, como a sociedade trata aqueles que não podem se defender. Os animais são, de fato, incapazes de se defender, pois se pudessem fazê-lo há muito teriam lutado contra o sistema que os explora. Numa situação hipotética, teriam dado seu sangue para conservar o direito sobre seu corpo, sobre sua liberdade. Mas, como isto nunca se deu, as forças que lucram com sua exploração puderam agir como desejavam. E pior, usam as próprias limitações dos animais como pretexto, como que os culpando por sua situação.

Houve um tempo em que a limitação do raciocínio foi usada como justificativa para violências contra seres humanos. Em primeiro lugar, contra os loucos, que foram tirados do convívio social para o recesso dos manicômios. Nesses locais, receberam o tratamento que a sociedade julgou cabível: prisão, maus-tratos, total abandono. Esta situação continuou até que os loucos foram aceitos – também eles – como portadores de uma forma de razão, que tem suas próprias características e não pode ser comparada aos padrões usuais da sociedade.

E é preciso recordar outras épocas, outras formas de agressão, baseadas em argumento parecido. De certa forma, todas as minorias foram consideradas "menos capazes", portanto merecedoras de escravidão. Em certo sentido, isto foi usado contra as mulheres, para justificar o domínio exercido pelos homens (obviamente, baseado na força). E foi usado contra povos inteiros, como os indígenas das Américas, considerados inferiores porque sua cultura não tinha a mesma evolução técnica conhecida pelos europeus.

Como foi dito, todos esses grupos resistiram. Através de seu esforço, firmaram o conceito de igualdade, que abrange todos os seres humanos. Porém, pouca gente aceita que a igualdade deve ser um valor mais amplo, referente a todos os seres sencientes, i.e., capazes de sentir. O mesmo preconceito que, tantas vezes, justificou a violência contra pessoas, nutre ainda a violência e a exploração dos animais. E, ao invés de contestá-lo, grandes parcelas da humanidade ainda consideram isto válido.

Por que seria? Mesmo que os animais sejam mentalmente mais simples, não tenham os mesmos potenciais da espécie humana... eles não são obrigados a tê-los. Assim como, na sociedade humana, deve-se respeitar as diferenças, devia ser também no contexto da vida. Pois, sem esse respeito, nasce a exploração e uma forma de exploração não é pior nem melhor do que outra. Ao contrário, há uma estreita relação, sendo que cada qual se nutre de todas as demais.

Assim, o que se verifica é um cenário paradoxal, que apresenta extremos de riqueza, bem-estar e conhecimento lado a lado com seu oposto: a miséria mais atroz, em todos os sentidos. Os valores humanos, ainda que muito exaltados, continuam longe de alcançar sua realização. Eis um quadro assombroso, em que uma sociedade repleta de cultura, tecnologia, convive com a desolação de crianças, adultos e idosos, abandonados nas ruas do mundo, condenados à mendicância.

É preciso indagar: qual o lugar de uma pessoa pobre, sem educação, laços afetivos e sociais, neste cenário que se pretende cada vez mais individualista, tecnológico e sofisticado? Haverá algum lugar, para aquele que está caído? E qual o lugar de um animal (e isto inclui baleias, aves, um cão vira-lata) num mundo mecanizado que evita contemplar a dor?

A sociedade tem julgado inferiores os animais, porque são destituídos dos mesmos potenciais característicos dos seres humanos (ou de uma parcela deles, pois há os casos excepcionais, como mencionamos há pouco). Acontece que o sistema social mantém muitas pessoas à margem, ignorando seus inúmeros potenciais. A ilusão consiste em acreditar que é possível manter a exclusão dos animais, sem que este processo se reflita nas relações entre as pessoas.

O que sempre aconteceu e continua acontecendo é a negação do valor da vida senciente - humana e animal -, sem escolha de vítimas em particular. Tudo que se faz é mudar o discurso, encontrando novos pretextos para o abuso, em diferentes situações. Este ciclo continuará, como tem sido durante séculos, até o dia em que todos os seres capazes de sentir tenham sua liberdade verdadeiramente garantida, e se reconheça que a exploração deve ser abolida por completo das relações sociais.


Filber Cristiano Chaves é estudante de Direito em Florianópolis/SC e integrante do CPDA – Comitê para Pesquisa, Divulgação e Defesa dos Direitos Animais. E-mail: cpdanimal@gmail.com.


Fonte: Sentiens

terça-feira, 22 de julho de 2008

MAUS-TRATOS A ANIMAIS NO CANIL DA UFG



MAUS-TRATOS A ANIMAIS NO CANIL DA UFG


No dia 14 de junho de 2008, defensores de animais de Goiânia-GO conseguiram adentrar no recinto da Faculdade de Medicina da UFG (Universidade Federal de Goiás), campus I, na área do canil, e foram tiradas fotos de animais em estado lastimável, animais comendo uns aos outros, animais cheios de sarnas, agonizando, tudo isso após serem submetidos à cirurgia de vivissecção. Os animais são abertos e fechados várias vezes e por vários alunos e depois são colocados de volta ao canil, junto com os outros animais, com suturas e mais suturas, voltando da anestesia (quando ela não acaba durante o procedimento). Tal prática fere lei federal brasileira , cujos direitos dos animais são garantidos pela Lei 9.605/98 em seu artigo 32 : " Praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos: Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa. § 1. Incorre nas mesmas penas quem realiza experiência dolorosa ou cruel em animal vivo, ainda que para fins didáticos ou científicos, quando existirem recursos alternativos. § 2. A pena é aumentada de um sexto a um terço, se ocorre morte do animal."

Denúncias foram feitas para o Ministério Público da cidade, mas todas indeferidas. Os promotores não consideraram os fatos "maus-tratos"
, o que demonstra desconhecimento da lei por parte dos promotores e nenhuma sensibilidade para com os animais. O reitor da universidade também respondeu publicamente às denúncias, negando inescrupulosamente a existência do descaso e dos maus-tratos cometidos contra os cães. Os mesmo são enviados à Universidade pelo CCZ (Centro de Controle de Zoonoses) da cidade, o que comprova também o descaso do poder público com animais abandonados, cujo destino cruel é a vivissecção.

Escreva para as autoridades brasileiras exigindo que acatem e investiguem as denúncias feita pelos defensores dos animais de Goiânia para que os culpados pelos maus-tratos sejam responsabilizados, solicitando também a substituição imediata dos animais naquela universidade por alternativas já existentes e utilizadas nas maiores e melhores universidades do mundo:


TEXTO:

MAUS-TRATOS NA UFG: CHEGA DE IMPUNIDADE!! (convém mudar o título da mensagem, para que ela não seja bloqueada)
É com grande consternação que escrevo para solicitar que acatem e investiguem as denúncias de maus-tratos feitas por defensores de animais no Brasil cometidos pela Universidade Federal de Goiás, cujos cães utilizados nas aulas do curso de Medicina são utilizados para a vivissecção, prática essa que fere Lei 9.605/98 em seu artigo 32, que considera crime realizar "experiências dolorosas e cruéis, ainda que para fins didáticos ou científicos, quando existirem recursos alternativos". É dever das autoridades fazer respeitar o espírito da lei e responsabilizar os culpados criminalmente pelo seu descumprimento.
É inaceitável que em pleno século 21 e com o avanço da tecnologia se permita utilizar animais no ensino, sendo que tal prática anti-científica, anti-ética , degradante e imoral já não faz mais parte da realidade de inúmeras universidades no mundo inteiro, assim como é inaceitável a existência de Centros de Controles de Zoonozes que encaminham cães abandonados para universidades para que estes sejam vivissecionados.

Uma vez que os animais são tutelados pelo Estado, espera-se que as denúncias sejam apuradas e os culpados punidos.

Cordiais saudações.

(SEU NOME)
(CIDADE/ESTADO)
(PAÍS)

ENVIAR PARA:
NÃO SE OMITA, OS ANIMAIS PRECISAM DE VOCÊ!


Assine a Petição
contra o massacre destes cães

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Os alimentos mais saudáveis do mundo


Depois de uma extensa pesquisa, o nutricionista americano Jonny Bowden selecionou os ingredientes com maior valor nutricional, que realmente deveriam fazer parte de nossa dieta diária. Alguns são itens que jogamos fora, como as folhas da beterraba, outros, alimentos aos quais não prestamos muita atenção, como a canela

Doutorado em nutrição pela Universidade Clayton pela Saúde Natural, o psicólogo Jonny Bowden dedica-se à pesquisa dos alimentos há duas décadas. Além do livro Os 150 Alimentos mais Saudáveis do Planeta, ele vai lançar, no fim do mês, a obra As Refeições Mais Saudáveis do Mundo. "Quero dizer às pessoas que é possível comer bem, sofisticadamente, explorando inúmeras nuances de sabor e ainda assim ser saudável", diz. Em entrevista a ÉPOCA, o autor explica como fez a extensa pesquisa que deu origem ao livro e revela quais são os alimentos menos saudáveis, dos quais devemos manter a maior distância possível.

Veja o resto da matéria: Aqui

Fonte: Revista Época

"NOVO PROJETO QUE O SITE VISTA-SE.COM.BR APOIA" ( MeDiciNa dO RisO)

Um novo projeto esta na atiava, nesse último domingo dia 20, conversando com o Fabio Chaves, ele mencionou um novo projeto mas não quis dizer o que era, hoje segunda feira dia 21, ele mostra o tal projeto em que está engajado, pedindo para que eu divulgace também, então está aqui a divulgação. O que é certo é para ser divulgado!


Segue as palavras do Fabio Chaves:

"Estou usando meu Conhecimento nesta última semana um grupo de jovens de Americana-SP que vem fazendo um trabalho emocionante em hospitais, azilos e outras áreas sociais de toda a região. Eles buscam parcerias com empresas para fazer este trabalho crescer.

Caso algum de vocês conheça empresas que queiram agregar uma marca de Responsabilidade Social à sua imagem, por favor mostrem o trabalho do grupo.

Eu, tocado pelas imagens do trabalho deles, resolvi ajudar e fiz neste final de semana um site que apresenta o trabalho deles
www.MedicinaDoRiso.com.br

Mas o que eles precisam?

Eles não aceitam doações em dinheiro, apenas roupas, alimentos, divulgação… enfim, o intuito não é financeiro.


by: Fabio Chaves www.vista-se.com.br




Saiba mais sobre a MEDICINA DO RISO Clique Aqui

VIVISSECÇÃO - ENQUETE NA REVISTA ÉPOCA



Em entrevista publicada na edição de 21/07/2008 da Revista Época, o pesquisador americano Michael Conn diz que a proibição do uso de animais em experiências científicas pode dificultar o avanço da medicina.
Qual sua opinião sobre o emprego de cobaias em laboratórios? Participe da enquete da revista acessando
No momento em que enviamos esta mensagem já haviam sido registrados 2.514 votos e o resultado parcial era:
  • Concordo com o uso de cobaias em pesquisas farmacêuticas. É um recurso necessário para salvar vidas humanas. - 44%
  • Concordo parcialmente com a utilização de cobaias. Acho que animais como macacos deveriam ser poupados dos estudos. - 12%
  • Discordo do emprego de cobaias nas pesquisas de laboratórios. Mesmo que o propósito final seja bom para a humanidade, não se pode desrespeitar o direito à vida dos animais. - 44%
PARTICIPE! SE VOCÊ DISCORDA, VOTE NA 3ª OPÇÃO!
Os animais agradecem.

O FRACASSO DAS LEIS ANTICRUELDADE

Ainda estamos trabalhando duro, dando novo formato ao website. Estamos muito entusiasmados e esperamos que você goste da nova versão e ache seu conteúdo útil para ajudá-lo(a) a defender a causa abolicionista.

Eu queria, no entanto, esta semana, fazer um breve comentário sobre um caso judicial recente, que está sendo bastante noticiado. Em dezembro de 2005, um investigador trabalhando com uma organização protetora de animais alegou haver filmado várias instâncias de abuso de animais na Esbenshade Farms, uma vasta granja industrial de ovos na Pennsylvania. O proprietário e o gerente da Esbenshade foram processados com 35 acusações, cada um, de violar a lei anticrueldade da Pennsylvania. Alegou-se que o vídeo mostrava galinhas empaladas no arame de suas gaiolas, incapazes de alcançar a água ou a comida, e presas junto com os cadáveres em decomposição de outras galinhas.

Em 1 de junho de 2007, o juiz da corte do estado inocentou os dois envolvidos de todas as acusações. O produtor de ovos alegou que o vídeo, na realidade, não mostrava sua granja. Mas o juiz, aparentemente, não emitiu sua opinião por escrito, então as razões para sua decisão não estão claras.

A comunidade dos defensores dos animais está chocada.

Por quê?

É exatamente assim que as leis anticrueldade funcionam: elas não funcionam.

Em meu livro Animals, Property, and the Law, eu argumentei que as leis anticrueldade não funcionam e não oferecem uma proteção significativa aos interesses dos animais. Essas leis são leis criminais e requerem que o estado prove que os infratores têm uma intenção criminal. Dado que vivemos em uma sociedade em que quase todo mundo considera a exploração animal uma coisa normal, é difícil provar, para além de qualquer dúvida razoável, que alguém agiu com intenção criminal ao causar dor e morte a um não-humano.

Além disso, muitas leis anticrueldade contêm isenções explícitas para usos institucionais aceitos de animais, ou interpretam as proibições de se infligir sofrimento "desnecessário" ou "injustificado" tendo como referência esses usos. Isto é: considera-se um sofrimento "necessário" ou "justificado" aquele sofrimento que é infligido habitualmente pelos envolvidos nessas indústrias de exploração. Por exemplo, a lei da Pennsylvania prevê que "uma atividade realizada em uma fazenda normal" não viola a lei anticrueldade.

Mas, muitas atividades que são "normais" nas fazendas de criação de animais são "cruéis" no sentido comum da palavra, fora do contexto legal. Os ferimentos das galinhas nas gaiolas de bateria, sua incapacidade para alcançar a comida e a água, e a presença de aves mortas dentro das gaiolas, tudo isso faz parte da criação "normal" de animais, no que concerne à produção de ovos.

Sendo assim, não deveríamos nos surpreender com o fato de o juiz ter inocentado os réus. Mesmo que eles tivessem feito aquilo que foram acusados de fazer, seria difícil argumentar que o que ocorre na Esbenshade é significativamente diferente do que o que ocorre em qualquer granja industrial de ovos. Todos esses lugares são horríveis e torturam animais para obter lucros. Mas eles só existem porque nós consumimos ovos. Se os granjeiros são culpados, os consumidores de ovos também são. Se não houvesse demanda, os produtores não poderiam mais continuar esse negócio.

Sob certa perspectiva, esses processos anticrueldade são, ao mesmo tempo, enganosos e danosos. São enganosos porque passam a idéia de que há uma diferença entre a Esbenshade Farms e as outras granjas de ovos. Não há diferença. Todos esses lugares são horríveis. E esses processos são danosos porque passam a idéia de que a solução é consumirmos ovos produzidos em circunstâncias mais "humanitárias", tais como os ovos de aves "livres de gaiolas", que são promovidos pela Humane Society of the United States e outras corporações bem-estaristas.

A solução não é consumir ovos produzidos de modo mais "humanitário".

A solução é não consumir ovos.


Conheça a teoria abolicionista de Gary Francione assistindo a 4 apresentações em tradução autorizada para o português: 1. Teoria dos direitos animais / 2.Animais como propriedade / 3. Direitos animais vs. bem-estar animal / 4. Direito Animal. Clique aqui: http://www.abolitionistapproach.com/?page_id=40

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Gary Francione é professor de Direito e Filosofia na Rutgers University, EUA. Conhecido internacionalmente por sua teoria de direitos animais abolicionista, é um crítico implacável das leis do bem-estar animal e da condição de propriedade dos não-humanos. E-mail: gfrancione@kinoy.rutgers.edu.

Regina Rheda é escritora premiada, vegana desde o ano 2000 e mora nos EUA. Traduziu o livro Jaulas Vazias, de Tom Regan (Editora Lugano). Seu website é http://home.att.net/~rheda/RRHPPortg.html. E-mail: regina.rheda@yahoo.com.br.


FONTE: Sentiens

domingo, 20 de julho de 2008

Águia fica 'amiga' de coelho servido para o almoço

Tratador jogou o bichinho para a ave comer, mas ela simpatizou com ele.
Há quatro meses os dois dividem a mesma gaiola na província de Zheng Zhou, na China.

"Águia desistiu de devorar coelho, e 'adotou' bichinho."
Quem disse que predador e presa não podem ser bons companheiros? A agência de notícias chinesa Xinhua informa que um mercado de aves da província de Zheng Zhou, traz mais uma prova de que às vezes as leis da natureza são surpreendentemente quebradas.

Há cerca de quatro meses, um tratador do mercado jogou o almoço na gaiola da jovem águia de um treinador profissional. O prato do dia era um coelhinho branco de orelhas cinzas e focinho preto.

Como a águia era jovem demais, fez amizade com o almoço ao invés de comê-lo. Os dois se dão muito bem. O coelho até limpa as penas da águia de tempos em tempos, e parece que ela gosta da gentileza. Para sorte do peludo...

Fonte: G1

PAVÊ DE MARACUJÁ

PAVÊ DE MARACUJÁ



1 pacote(s) de biscoito tipo maizena
1 lata(s) de leite condensado de soja
1 embalagem de creme de leite de soja
¾ xícara de suco de maracujá concentrado(s)

Calda
3/4 xícara(s) (chá) de polpa de maracujá
2 colher(es) (sopa) de açúcar
1 colher(es) (sopa) de amido de milho
1 xícara de água

Em um refratário tamanho pequeno, distribua uma camada de biscoitos. Misture com uma colher o suco de maracujá, o leite condensado e creme de leite como se fosse um mousse. Com uma porção desse mousse cubra os biscoitos e vá alternando as camadas até acabarem. É importante que a última camada seja de mousse.

Calda
Coloque todos os ingredientes no fogo e mexa até engrossar e adquirir o ponto de calda de sorvete (uns 10 minutos no fogo baixo). Deixe esfriar e cubra o pavê delicadamente usando uma colher. Cubra o refratário e leve à geladeira de um dia para o outro.
Obs: para a calda conserve uma parte das sementes do maracujá, pois darão charme, sofisticação e crocância ao pavê.

Adaptada de Cyber Cook

Obs:
A calda só engrossa um pouco depois de fria. Ficou muito azeda. Ficaria melhor se usada em uma quantidade bem pequena, só mesmo para enfeitar.
Mas a receita está aprovada e a calda não faz falta nenhuma.
Coloquei a mousse um pouco na geladeira antes de usar, para ficar mais consistente.
Receita aprovada! Já fiz outras vezes sem calda.


Fonte: Comunidade Receitas Éticas "Orkut"

Palestra de Sérgio Greif durante o Encontro Nacional de Direitos Animais (ENDA)

Palestra proferida por Sérgio Greif durante o Encontro Nacional de Direitos Animais (ENDA).

Sérgio Greif é biólogo, mestre em Alimentos e Nutrição, co-autor dos livros A Verdadeira Face da Experimentação Animal: A sua saúde em perigo e Alternativas ao Uso de Animais Vivos na Educação: pela ciência responsável.

Direitos animais e o caminho a seguir

sergio_greif@...

Por ocasião do 1º Encontro Nacional de Direitos Animais (ENDA), ocorrido em Porangaba - SP, entre os dias 1º e 4º de maio de 2008, tive a oportunidade de proferir 4 palestras sobre temas diversos. Duas dessas palestras tratavam de aspectos relacionados ao posicionamento ideológico daqueles que lutam pelos direitos dos animais, sendo uma referente ao dito “movimento abolicionista” e a segunda uma tentativa de estabelecer de que forma se daria o ativismo pelos direitos animais no futuro. O artigo que se segue refere-se a essas duas apresentações realizadas.

Vem ganhando popularidade em nosso meio as alusões e referências a um tal “abolicionismo animal”. Mais e mais pessoas vem se auto-denominando abolicionistas, escrevendo mensagens de e-mail destinadas aos “Prezados Abolicionistas” (independente de quem sejam os destinatários) e se despedindo em suas mensagens com “abraços abolicionistas”. Abolicionismo parece ser a nova palavra da moda, seja lá o que ela queira dizer para a maioria das pessoas.

Embora “abolicionismo animal” seja uma terminologia popularizada relativamente em tempos recentes, a idéia que ela encerra não é de forma alguma nova. Abolicionistas não inventaram nada que já não se soubesse; essa não é uma nova seita, sem um passado, e que surgiu para acabar com tudo o que se tinha até então, como querem fazer parecer muitos “protetores de animais das antigas”. Se hoje o termo abolicionismo é necessário, se foi preciso “inventar” uma palavra, foi porque as antigas terminologias – direitos animais, proteção animal, defesa animal - ou qualquer outra que tenha vindo a ser utilizada, foram corrompidas pelo desgaste e mau uso.

Se pessoas que reproduzem animais, criam-nos para seus fins, fazem uso de sua carne, couro ou outras partes, etc. – se pessoas, enfim, que não possuem nenhum compromisso para com a vida animal repentinamente passam a se autodenominar “protetores de animais”, “defensores de animais”, etc., então é certo que as pessoas que realmente protegem e defendem animais, que lutam por seus direitos, precisarão adotar uma outra denominação. Se muitas pessoas entendem que lutar pelos direitos animais significa lutar para que as galinhas tenham jaulas maiores ou para que o vitelo possa deitar em um cocho um pouco mais largo, esticando as pernas, então de fato entendemos porque da necessidade de se criar uma nova palavra. Assim popularizou-se o termo “abolicionismo”.

Mas essa popularização, quando não seguida de uma definição clara e amplamente entendida e aceita, pode ser algo ruim. Basta analisarmos a forma como muitos auto-denominados abolicionistas levam a vida ou se embrenham no seu ativismo para vermos que o abolicionismo de agora nada tem a ver com o que devíamos entender por abolicionismo, e que ele muito mais se aproxima da proteção animais outrora criticada. Aliás, é óbvio que apenas se autodenominar abolicionista sem seguir a isso uma critica ao bem-estarismo é uma colocação vazia. Não há porque utilizar essa palavra senão em oposição ao movimento tal qual existia e existe até hoje.

Abolicionismo nada mais é do que direitos animais. Não há nada somado, não há nada subtraído. Direitos animais em sua forma mais pura. Não é novo porque o conceito estava lá desde o começo. Se reconhecemos que animais possuem direitos e que esses direitos são inalienáveis então não podemos utilizar animais como meios para nossos fins. O conceito é simples, não há mais o que se argumentar sobre isso. Mas tudo o que é diferente disso, ainda que parecido para os menos avisados, não é mais direitos animais.

No meu entender, visto o mau uso do termo abolicionismo, caminhamos para a eleição de uma nova palavra para definir a forma como pensamos. Direitos animais já foi bom, mas foi corrompido, abolicionismo já começou com um emprego ruim... que palavra virá agora? Minha opinião é que deixemos de neologismos, deixemos o abolicionismo de lado e nos voltemos novamente para os direitos animais, mais lógico e explicativo. Com o perdão das palavras, mas para o inferno os protetores de animais, falsos defensores de animais – se eles comem frango ou apóiam o uso “ético” de animais em pesquisa, eles não defendem nada senão seus próprios interesses. Sou pelos direitos animais e só me denomino abolicionista quando preciso fazer uma crítica específica ao bem-estarismo.

O ideal abolicionista não é novo, nem saiu do movimento de defesa animal, como muitas vezes colocado pelos críticos. Estiveram ambos os movimentos engendrados um ao outro desde o começo, atrapalhando-se e confundindo-se mutuamente. A cisão que surgiu recentemente não veio para enfraquecer, mas para fortalecer cada movimento em suas opiniões, cada qual em sua maneira de agir. E as diferenças são tantas que ambos os grupos chegam a ser opostos, embora por um ponto de vista bastante superficial, ambos lutem pela mesma coisa.

Entender a evolução deste movimento é entender seu próprio funcionamento. Não pretendo aqui escrever muito mais do que já foi escrito sobre essa evolução. Outros artigos nessa mesma publicação o fazem muito melhor. Mas como uma rápida retrospectiva dos fatos, precisamos entender que, no mundo ocidental, grande parte do pensamento humano com relação aos animais baseou-se na passagem de Gênesis 1:28 “E Deus os abençoou (Adão e Eva), e Deus lhes disse: Frutificai e multiplicai-vos, e enchei a terra, e sujeitai-a; e dominai sobre os peixes do mar e sobre as aves dos céus, e sobre todo o animal que se move sobre a terra.”. Essa passagem, invocada em praticamente toda discussão referente aos direitos animais, predominou no pensamento humano durante as Idades Antiga, Média e Moderna.

Mesmo atualmente ainda há quem a use para justificar o direito do homem sobre as demais espécies, o que de fato atesta contra a racionalidade do argumentador, visto que outras passagens bíblicas autorizam a escravidão, o saque, o estupro, etc (para mais informações sobre esse tópico leia o ensaio “O bem-estarismo e a Bíblia” - www.anima.org.ar/libertacao/animais/o-bem-estraismo-e-a-biblia.html). Note-se que muitas vezes quem utiliza tal argumento sequer conhece ou segue a Bíblia. Apenas a utiliza para defender um ponto de vista que serve aos seus interesses.

A defesa da idéia de que animais são meros recursos a serviço dos seres humanos atingiu seu ápice com René Descartes, que em 1637 defendia que os corpos eram apenas máquinas, autômatos. Embora Descartes tentasse ser perfeitamente racional em sua argumentação, ou como mais tarde popularizou-se dizer – Cartesiano – sua lógica não estava desvencilhada do pensamento da época. O homem é também máquina visto que possui corpo, mas possuindo também alma e pensamento, torna-se sujeito de direito. Animais não possuíam alma nem pensavam, pelo menos esse era o pensamento da época, logo, não eram mais do que robôs. E robôs podem ser usados para qualquer coisa, inclusive destruídos sem qualquer justificativa.

O Iluminismo surgiu como uma crítica a diversos pressupostos religiosos, entre os quais a idéia de que animais não possuíam alma ou não raciocinavam. Jean-Jacques Rousseau em 1755 defendia que os animais possuem sim sentimentos, e que por isso não devem ser “desnecessariamente mal tratados”. Vemos aqui que Rousseau não chega a realizar uma defesa verdadeira aos direitos animais. Ele reconhece que animais sofrem e que, portanto, é moralmente errado fazê-los sofrer. Mas se ele cita o “sofrimento desnecessário” é porque pressupõe a existência do “sofrimento necessário”. Embora referido como vegetariano pelas sociedades vegetarianas pelo mundo afora, Rosseau jamais foi vegetariano nem se posicionou contra qualquer uso de animais. Apenas sugeria que houvesse maior critério nesse uso.

Outro iluminista, Voltaire, em 1764 fez críticas mais específicas às colocações de Descartes, defendendo que animais pensam e tem sentimentos. Embora defendesse isso, acreditava que tínhamos o direito de usar animais, ao mesmo tempo que tínhamos obrigação de defendê-los. Esse antagonismo, um contra-senso, é o cenário que ainda encontramos no movimento de “proteção animal”. Protetores de animais até hoje defendem essa mesma idéia, a de que podemos utilizar animais para nossos fins, mas temos obrigação de defendê-los.

Immanuel Kant, outro filósofo iluminista bastante prolífico, defendia em 1781 que o ser humano devia se abster de maltratar animais porque o homem que se acostumava com o sofrimento animal mais facilmente se tornava indiferente ao sofrimento humano. Na opinião de Kant os animais em si não gozavam de direitos, nem o sistema moral que devia ser aplicado a todos os homens deveria ser estendido aos animais. Apenas devíamos nos compadecer dos animais porque assim nos compadeceríamos do próprio ser humano.

O filósofo e jurista inglês Jeremy Bentham, maior representante da ideologia utilitarista, escreveu em seu livro de 1789 An Introduction to the Principles of Morals and Legislation: “Pode um dia vir a ser reconhecido que o número de pernas, a vilosidade da pele, ou a terminação do osso sacro são razões igualmente insuficientes para abandonar um ser senciente à mesma sorte.

O que mais seria isso que poderia traçar a linha insuperável? É a faculdade da razão ou talvez a faculdade do discurso? Mas um cavalo ou um cão bem crescidos são sem comparação mais racionais, bem como mais comunicativos, do que um bebê de um dia ou de uma semana ou mesmo de um mês de vida. Mas suponhamos que eles fossem de outra maneira, o que isso valeria? A questão não é, Eles pensam?, nem Eles falam? Mas, Eles sofrem?”

Muitos se referem a essa passagem de Jeremy Bentham como o início do pensamento com respeito aos direitos animais, mas costumo vê-la como apenas mais um degrau em direção a esse pensamento. Bentham não era ele mesmo um vegano, e embora fosse opositor da escravidão humana, acreditava que animais podiam ser escravizados. A contribuição verdadeira de Bentham não foi com relação aos direitos animais, mas sim em reconhecer que animais possuíam interesses iguais aos do homem no que se refere à capacidade de sofrer e sentir dor.

Embora seus escritos sejam referidos como tendo dado início ao movimento de direitos animais, sua influência foi mais forte dentro do movimento de bem-estar animal. Por influência de Bentham, em 1822 foi promulgada a primeira lei de bem-estar animal da história, a British Anti Cruelty Act, que pretendia prevenir a crueldade contra os animais habitualmente utilizados pelo homem. A lei em nenhum momento questionava se animais devem ser utilizados, apenas estabelecia que uma vez que seu uso existe, os animais deveriam ser tratados seguindo princípios não-cruéis. Essa lei não era extensiva a todas as espécies animais, mas aplicável apenas a animais domésticos de grande porte.

Em 1824 foi fundada, também na Inglaterra, a Society for the Prevention of Cruelty to Animals – SPCA, rebatizada em 1840 de Royal Society for the Prevention of Cruelty to Animals. Esses dois eventos servem de marco histórico para o bem-estarismo enquanto movimento, e embora em determinados aspectos isso tenha influenciado o movimento pelos direitos animais, não se pode considerar que o reconhecimento de que animais que devem ser utilizados pelo homem merecem alguma consideração devido à sua capacidade de sentir dor seja um passo em direção ao reconhecimento de que animais não devem ser utilizados pelo homem.

O bem-estarismo, compatível com a filosofia utilitarista, difere da filosofia dos direitos animais em tantos aspectos que apenas por ignorância ou superficialidade as pessoas podem confundi-los. Como nos direitos animais, o bem-estarismo também reconhece que animais são seres sencientes, ou seja, capazes de sentir dor e sofrer. Mas as semelhanças acabam por aqui, pois com essa informação em mãos, ambos os grupos tomam caminhos opostos.

- Bem-estaristas reconhecem que animais podem sentir dor, logo, não devem jamais sofrer desnecessariamente. Mas, quando o sofrimento for necessário, animais podem ser usados. Bem-estaristas crêem que existem formas éticas de utilização de animais, a que chamam de “tratamento humanitário”, onde alega-se que o sofrimento é minimizado. Bem-estaristas defendem que a prevenção da crueldade contra animais deve ser regulamentada por leis.

- Os defensores dos direitos animais, como os bem-estaristas, reconhecem que animais são seres sencientes. Exatamente essa senciência lhes torna sujeitos de direito. Animais têm interesse em não sofrer, em não sentir dor, em continuarem vivos. Portanto, fazê-los sofrer ou matá-los é moralmente errado. Animais não devem ser vistos como recursos, como meios para nossos fins, e independente do valor que o ser humano lhes atribua, animais possuem um valor inerente que não pode ser expresso em termos monetários ou negociados de alguma maneira.

A diferença fundamental entre bem-estaristas e defensores dos direitos animais é que os primeiros não se opõe ao uso de animais e apenas lutam pela sua regulamentação, enquanto que os segundos querem abolir toda forma de exploração animal. São movimentos que trabalham por causas opostas, pois regulamentar determinado uso significa torná-lo aceitável, mais longe de ser abolido. Apesar disso, ambos os movimentos se confundem entre si, gerando por vezes atritos e desavenças.

O filósofo australiano Peter Singer, discípulo de Bentham, é muitas vezes referido como pai do movimento de direitos animais. Embora seu livro Animal Liberation, de 1974, tenha popularizado a idéia de que animais sofrem, em nenhum momento Singer nele defende que não devemos utilizar animais. O nome “Libertação Animal”, do título, não condiz com o conteúdo do livro. Singer tem um posicionamento utilitarista, onde o prazer deve ser maximizado e o sofrimento minimizado, tanto para os homens quanto para animais. Ele também tem uma argumentação coerente no que se refere ao princípio da igualdade entre espécies. Mas, por outro lado, ele também defende que vidas – humanas ou animais - podem ser negociadas em troca de “um bem maior”.

Na concepção de Singer, animais podem ser usados desde que isso beneficie a um grande número de animais ou de seres humanos. A vida e o direito individual não têm aqui valor, indivíduos podem ser sacrificados pelo bem da coletividade. Singer reconhece que animais tem interesse em não sentir dor, mas não tem interesse na vida e na existência continuada. Assim, não há nada de errado em matar um animal, o errado está em fazê-lo sofrer. Singer não defende o veganismo, mas sim um “onívorismo consciente”, onde os produtos de origem animal sejam oriundos de sistemas de criação que dêem aos animais “tratamento humanitário”. Defendendo idéias referentes ao bem-estar de animais de criação, Singer não reconhece que animais tem direitos.

O bem-estarismo falha em sua alegada missão de proteger animais em diversos aspectos, especialmente por:

- supor que em algum momento a exploração de animais pode ser eticamente justificada;

- supor que o julgamento humano de fato pode contrapor os interesses de animais (propriedades) e humanos (proprietários) com justiça;

- permitir que o “sofrimento necessário” imposto aos animais seja, na prática, todo uso que se queira fazer do animal;

- supor que leis anti-crueldade de fato protegem os animais ou previnem abusos sendo que elas sequer tipificam o que sejam crueldades ou abusos;

O bem-estarismo em verdade conduz a um lugar bastante diverso do que se desejaria para os animais. Promovendo o consumo de produtos de origem animal do tipo carne de boi orgânico, frango caipira, leite de “vaquinhas felizes”, etc. o bem-estarismo cria uma sensação de conforto com relação à exploração animal. O erro não está na exploração de animais, mas na forma como o fazemos. Pessoas deixam de se tornarem veganas para consumir esses produtos mais caros e valorizados, mas que na praticam não são sequer resultados de sistemas de exploração menos sofríveis para os animais. O manejo valorizado pelo bem-estarismo, além de resultar em melhoria na produção pecuária, apenas elimina o sofrimento inútil do sistema de criação. O “sofrimento útil”, que se converte em dinheiro para criador, é mantido, até porque ele é inerente a essa atividade.

E porque valoriza a exploração animal, o bem-estarismo tem como ícones de seu movimento indivíduos e organizações que se destacam explorando animais, desde que adotando a mesma ótica de minimização do sofrimento “desnecessário” e otimização do manejo. Por esse motivo organizações de bem-estar animal tendem a premiar cadeias de lanchonete que se comprometem em usar hambúrgueres de vacas que sofreram menos pra morrer, ou cientistas que se comprometem em reduzir o número de animais usados em seus laboratórios, ou refinar a técnica de modo a diminuir significativamente seu sofrimento. O bem-estarismo não cogita uma campanha de eliminação dessas formas de exploração animal porque eles mesmos se beneficiam desse uso. O bem-estarismo tem, enfim, objetivos diferentes dos direitos animais, e não faz sentido defender que a adoção de uma estratégia bem-estarista levará a abolição do uso de animais. Nós chegamos aonde estamos tentando ir.

Embora a concepção de direitos animais seja antiga, podendo remontar ao século XVII (para mais detalhes, ler O homem e o mundo natural, de Keith Thomas), sua caracterização enquanto movimento distinto do de bem-estar animal só tomou forma mediante os escritos de Tom Regan e Gary Francione. O processo ainda está em curso e depende das pessoas envolvidas reconhecerem que as diferenças existem e que as distinções são necessárias.

O movimento de direitos animais caracteriza-se pelo reconhecimento de que animais possuem os mesmos direitos que o ser humano à vida, e que esses direitos não podem ser negociados. Animais têm interesse na vida e existência continuada e jamais devem ser usados como recursos, ainda que se provem benefícios para o ser humano ou para maior número de animais.

Considerando tudo isso, o veganismo não é apenas uma escolha individual, mas uma obrigação moral de todo ser humano. Não é concebível que uma pessoa que diga defender animais não seja vegana visto que o veganismo é o primeiro estágio que o indivíduo deve buscar após reconhecer que animais possuem direitos. Uma pessoa que difunde direitos animais sem antes haver adotado o veganismo age de forma desonesta, pois pretende ensinar sem antes haver aprendido, e propõe que os outros façam o que ela mesma não se comprometeu a fazer. O veganismo não é um mero detalhe na vida do indivíduo, ele é fundamental para se entender de que forma que a pessoa realmente se compromete com os direitos animais. Veganismo é direitos animais em ação.

Dito isso, entendemos o porquê do movimento de bem-estar ser mais popular que o movimento de direitos animais. O “bem-estar” não exige nada do indivíduo, basta reconhecer que animais sofrem. E nem é necessário reconhecer que todos os animais sofrem, basta que sejam aqueles que nos são mais simpáticos. Basta empunharmos cartazes e gritarmos palavras de ordem. Basta dizermos que gostamos de animais. Não é necessário, realmente, mudar nada em nossas vidas para que sejamos “protetores de animais”.

Por outro lado, reconhecer que animais possuem direitos exige que transformemos nossas vidas, que façamos algo a respeito. E fazendo isso, levantamos muitas críticas daqueles que não querem assumir os mesmos compromissos. Muitos não negam que animais têm direitos, mas preferem defender que assumir que não devamos utilizá-los seja uma posição utópica. Que a sociedade não está ainda preparada para isso e que a adoção do veganismo é uma atitude extrema, radical. Defendem que quem quiser adotar o veganismo pode fazê-lo, mas que o veganismo não é para todos, e que as pessoas podem optar por continuar fazendo uso de animais.

Enfim, acreditam que animais têm interesse em não sofrer, mas não que eles tenham interesses na vida continuada. Que basta que animais morram sem sofrimento para que sua exploração seja considerada ética. Defendem ainda que aqueles que lutam pelos direitos animais colocam seu ativismo como uma questão de “tudo ou nada”, ou seja, que não acreditam que pequenos ganhos pela causa. Essa crítica é bastante infundamentada, até porque ela surge toda vez que bem-estaristas recebem criticas por estarem promovendo legislações que não representam pequenos ganhos pela causa, mas sim regulamentações de uso de animais.

Outra crítica infundamentada muitas vezes recebida é a de que animais não têm direitos porque direitos pressupõem deveres perante um Estado. Ora, se assim o fosse, bebês e deficientes mentais não gozariam de direitos, visto que não possuem deveres para com o Estado. Ademais, o que se busca para os animais não é “proteção” da forma como é colocada pelos “protetores de animais”, nem o direito ao voto, nem qualquer reconhecimento de cidadania. Direitos animais referem-se aos direitos à vida, à existência sem sofrimento e livre do subjugo humano. Não há porque exigir dos animais qualquer obrigação para com o Estado.

Entendidas as diferenças entre ambos os movimentos, resta-nos entender de que forma cada qual deve buscar seus objetivos. Vimos que o movimento de bem-estar animal tem uma forma de atuação que privilegia a premiação de indivíduos e organizações que se comprometem em explorar animais fazendo uso de “métodos humanitários”. Vimos também que esse movimento busca a elaboração de legislações que estabeleçam de que forma animais podem e de que forma animais não podem sofrer. Outras formas de ativismo, em verdade ‘demonstrações de que existimos’ podem ser enumeradas, entre elas protestos, performances de rua, divulgação de materiais, organização de abaixo-assinados, etc.

Convém que o movimento de direitos animais, enquanto movimento distinto do movimento de bem-estar animal, não tome parte dessas ações, ou quando o fizer, que o seja de maneira bem criteriosa. Creio que a palavra critério seja fundamental para a compreensão de todo o texto que se segue. Comecei o presente texto com uma crítica à popularização e mau uso do termo abolicionismo, porque mesmo quando adotados por veganos sinceros, seu emprego em um contexto bem-estarista acaba por corromper a palavra em sua pureza. Ativistas pelos direitos animais devem ver com reservas toda ação promovida pelos grupos de bem-estar animal. Devem ser criteriosos na escolha daquilo que apoiamos, aquilo a que somos indiferentes, e aquilo que merece nossas críticas.

Nesse 1º ENDA foi pedido que eu falasse sobre o caminho que o ativismo pelos direitos animais deveria tomar no futuro. Não sou dado a previsões, mas posso analisar criticamente o movimento no presente e tentar esboçar um movimento ideal no futuro. Certamente o que mais me incomoda no movimento presente é a falta de critério. Uma boa demonstração de falta de critério é a quantidade de e-mails inúteis referentes ao tema que recebemos diariamente. Sob a pretensão de estar ajudando animais, ativistas fazem circular tudo o que recebem. É óbvio que muito desse material é repassado sem uma leitura prévia, pois não se encontra nele nenhum objetivo prático. Também o texto nem sempre condiz com aquilo que acreditamos. É material ruim e até contrário à nossa ideologia, mas porque dele constam palavras chaves – direitos animais, proteção animal, etc. – ele simplesmente chega ás nossas caixas. Falta de critério dos ativistas.

A falta de critério também se torna evidente quando consideramos o grande número de atividades que se desenvolvem sob o pretexto de ‘direitos animais’. Embora o número seja relativamente grande, considerando o número de ativistas, faltam a essas atividades objetivos claros, foco, organização, enfim, são atividades sem propósito que apenas consomem tempo e energia dos ativistas.

Baseado nessas considerações supus que ‘falta de critério’ seja o maior problema do ativismo do presente e que ‘mais critério’ seja o que devemos buscar para o ativismo do futuro. Existem 5 perguntas que as organizações sempre devem se fazer para otimizar suas ações. Creio que movimentos e indivíduos envolvidos com direitos animais, para trabalhar com maior critério, devam sempre se fazer essas perguntas, também. São elas: Qual? Como? Quem? Onde? e Quando?

Qual? – “Qual o objetivo de determinada atividade? Quais atividades realmente merecem nossa atenção e a quais devemos ser indiferentes?” A pergunta qual? é importante para o ativista, pois impede que ele se envolva com atividades que não resultem em nada ou que resultem em algo que não seja seu objetivo. Algumas vezes me envolvi em campanhas sem realizar os devidos questionamentos e só então percebi que os objetivos de alguns dos participantes eram distintos dos meus. Outras vezes não havia objetivo algum, apenas o dispêndio de tempo e energia. Poucas pessoas gozam o privilégio do tempo e energia ilimitados. Para aqueles que trabalham, que possuem relações sociais, família, etc, as ações precisam resultar em algo, caso contrário serão ações vazias. Tudo o que fazemos tem que fazer sentido. Não adianta atirar para todos os lados, envolver-se com toda ação proposta, é hora de parar e se concentrar. Quais atividades de fato merecem nossa atenção?

Como? – “Como devo agir?” “Como vou atingir meu objetivo?” A pergunta Como? é importante porque muitas vezes as atividades propostas tem um objetivo claro, mas as ações pretendidas não são compatíveis com esses objetivos ou os efeitos que delas podem advir potencialmente produzirão resultados não desejáveis. Mais adiante realizaremos uma análise critica dessas formas de atuação.

Quem? – “Quem podemos chamar para fazer parte de nossas atividades ou de nosso grupo?” A pergunta Quem? é bastante importante no que se refere à formação de grupos ou das atividades que demandam a participação de muitas pessoas ou grupos distintos. Trabalhos em grupo são mais difíceis de manter dentro de um critério porque por sua própria natureza, as pessoas não agem de forma coesa. Quando o ingresso em um grupo se dá de uma maneira não questionada os grupos se tornam entidades heterogêneas, abertas a praticamente todas as formas de pensamento. É ótimo que no nível individual as pessoas possuam liberdade de pensamento, mas isso dentro de um grupo descaracteriza todo o trabalho. Grupos deveriam trabalhar por um objetivo claro e para isso a maior homogeneidade possível é impreterível. Por esse motivo, grupos menores tendem a ter ações mais focadas e o trabalho individual bem feito tende a ter qualidade superior ao trabalho realizado em conjunto. Grupos grandes e inchados tendem a ter infiltração de bem-estaristas, o que condena toda e qualquer ação do grupo. Em um grupo menor, com número mais limitado de pessoas, porém, é mais fácil encontrar retidão, coerência, honestidade, bom senso, responsabilidade, capacidade de manter o foco, convicção, clareza, profundidade, características desejáveis em companheiros de atividades.

Onde? – “Onde a ação deve se desenvolver?” A pergunta Onde? tem importância somente após decidida quais ações valem a pena serem tomadas, como deve-se agir e quem será chamado a participar. Ações em locais públicos demandam um questionamento per se, pois os efeitos desejáveis podem ser suprimidos por efeitos indesejáveis que poderiam ser previstos caso houvesse maior critério. Também, é importante que as ações sejam tomadas em locais que de alguma forma tenham relação com os objetivos propostos e cujo público alvo seja capaz de tomar decisões que de fato tenham efeito sobre os objetivos almejados.

Quando? – “Quando ela deve começar?” A pergunta Quando?, igualmente, tem importância somente após realizadas as três primeiras perguntas. Muitas vezes os objetivos são válidos, a forma de agir é compatível com esses objetivos, a escolha do local é a ideal, mas o momento não é o correto. Para que os objetivos sejam atingidos muitas vezes precisamos ter tomados medidas anteriores à ação. Não adianta trabalhar por algo fazendo com que as ações se antecedam aos eventos. As coisas funcionam dentro de determinada ordem e contrariar essa ordem pode significar não atingir o objetivo da ação.

O ativista pode encontrar problemas em agir seguindo esse critério, especialmente quando o convite para tomar parte em ações sem objetivos claros partir de pessoas por quem ele tenha apreço. Mas, certamente, o ativismo pelos direitos animais não deve ser usado como um recurso para fazer ou manter amizades. É bom que do ativismo resultem amizades, mas a verdade dos direitos animais e seus objetivos estão acima disso.

No passado me abstive de dizer para certos “ativistas” que o que eles faziam nada tinha de direitos animais, seja por causa das atividades em si, seja porque seu estilo de vida sequer era compatível com essa ideologia. Não é possível, por exemplo, que uma pessoa se identifique como ativista pelos direitos animais sem que antes tenha adotado um estilo de vida vegano. Veganismo não é o estágio máximo, superior, que o ativista deve atingir após anos de “desenvolvimento espiritual”. Veganismo é o estágio inicial, pelo qual ele primeiro realiza a mudança em si mesmo, para então buscar a mudança nos outros. Não devemos tentar ensinar aquilo que nem mesmo nós aprendemos.

No presente encontro-me afastado de muitas pessoas que conheci nessa jornada simplesmente porque disse a verdade. Vislumbrei que não estava no ativismo para fazer amigos, mas para atingir um objetivo. Amigos tenho fora do ativismo, pessoas que comem carne e que declaradamente não estão nem aí para os animais. No ativismo quero trabalhar com pessoas que vivam sua ideologia, e que tenham um estilo de vida compatível com ela. Pessoas que primem pela coerência. Disse certa vez John Kennedy “O segredo do sucesso é não tentar agradar a todo mundo”. Se algumas pessoas não suportam a verdade esse é um problema delas. Creio que no futuro os ativistas não precisarão passar por isso, pois já encontrarão dois movimentos bastante distintos.

E de que forma se dará o ativismo pelos direitos animais do futuro? Feitas as 5 perguntas e adotado a todo momento o pensamento criterioso, creio que o ativismo no futuro não lançará mão de recursos tão diversos dos já adotados atualmente, seja a divulgação de textos, o trabalho junto à mídia, a panfletagem, a organização de protestos, de performances, abaixo-assinados ou mesmo a ação direta. O que não temos hoje e espero que tenhamos no futuro é critério.

Não há nada de inerentemente errado em nenhuma das ações enumeradas acima. O erro está no uso que se tem feito de cada uma delas até o presente momento. A ação em si não tem sentido se ela não almeja um objetivo e se esse objetivo não condiz com os interesses dos animais. Considerando, ainda, que no futuro espera-se que haja um maior aprofundamento e até uma profissionalização do ativista, as ações tenderão a demandar menor gasto de tempo e energia com um maior rendimento nos resultados. Analisemos criticamente, à seguir, algumas dessas formas de atuação:

A divulgação de material é certamente uma ótima forma de atuação porque tem o potencial de educar as pessoas. Educar é, afinal, a melhor forma de atuação dentro do movimento. No entanto, sem critério, podemos estar divulgando material cujo conteúdo pode não condizer com a ideologia que queremos que as pessoas adquiram. Quando recebemos um material é prudente que, antes de repassá-lo, questionemo-nos: “Esse texto é perfeitamente coerente com minhas idéias? A linguagem empregada no texto é adequada? Ela é acessível? O texto é claro? Ele está bem embasado? A argumentação fere algum conceito ético?”.

Se o texto for ruim ou mais ou menos, não convém divulgá-lo. Quando as palavras não são colocadas de forma clara e exata e o texto dá margem a mais de uma interpretação, ou quando as palavras parecem ser medidas de modo a evitar tratarem explicitamente de direitos animais, veganismos ou outros temas, apenas porque o autor pode considerar que a população não está preparada para essas idéias, encontramos textos falhos. Textos com conteúdo religioso ou de ideologias diversas aos direitos animais também devem ser evitados. Textos que contenham referências a fatos científicos, como é o caso de nutrição ou fisiologia, devem ser tecnicamente bem embasados. Enfim, a divulgação de textos deve ser criteriosa e apenas textos que atendam a critérios bem específicos devem ser divulgados.

É curioso que no presente sejamos sempre incitados a dar apoio a determinado projeto de lei ou a assinar determinado abaixo-assinado, porque aí se encontra “a salvação dos animais”. Mas por que recebemos esse material já engessado, em um texto ruim e que não pode ser alterado? Por que a pessoa que agora te procura buscando teu apoio não te procurou antes, quando da elaboração desse material? Correndo o risco de parecermos mesquinhos, não se trata de orgulho de alguém que não foi consultado anteriormente, mas de alguém que não encontra naquele texto a expressão de suas idéias referentes àquele assunto.

Tendo em mãos um bom material para ser divulgado, cabe decidir a melhor forma de fazê-lo. Enviar textos pela internet é uma forma barata e com potencial de atingir pessoas em lugares distantes, mas mesmo aí é necessário haver critério. Se eu recebesse, digamos, textos com conteúdo evangélico em minha caixa de mensagens, além de não lê-los eu possivelmente pegaria birra de quem me enviou. Não tendo interesse pelo assunto não quero receber material com esse conteúdo. Simplesmente enviar material referente a direitos animais para pessoas que simplesmente não se interessam pelo assunto não as fará interessarem-se. Poderá, quanto muito, fazê-las adquirir aversão pelo assunto.

Outra forma de divulgar mensagens é através de panfletos. É providencial ter em mãos panfletos com bom conteúdo, para entregar às pessoas que por algum motivo se interessam pelo assunto e que querem saber mais. Panfletos são uma extensão da abordagem, trazem referências para que o assunto não morra ali, tenha uma continuidade. Bons panfletos trazem links para boas entidades; mais tarde a pessoa interessada pode buscar outras informações na internet.

Mas a panfletagem por si só, o ato vazio de entregar um panfleto para um pedestre na rua, ou para um motorista parado em um farol, não tem qualquer razão de ser. Quando recebo um panfleto na rua descarto sem ler. Ele vai parar na primeira lixeira ou no cestinho do carro. Pedestres que não tem tempo para conversar com você não terão tempo nem interesse de ler um panfleto que receberam na rua. Panfletos assim desperdiçados são recursos da entidade jogados fora, é lixo gerado, e não tem potencial de produzir os efeitos desejados.

Atividades como protestos e performances também precisam ser realizados de maneira bastante criteriosa. Precisamos a todo o momento questionar se com tais manifestações atingiremos algum objetivo. Particularmente assisto a protestos praticados por outros movimentos e não posso entender quais sejam suas exigências. Sei que uns são sem-terra, outros são estudantes de esquerda... mas o que eles realmente estão reivindicando? E se entendo a reivindicação, não entendo de que forma que o protesto pode ajudar. A quem ele é dirigido? Essa pessoa tem poder para cumprir com essas exigências? Se não há resposta para essas perguntas, o protesto ou a performance não fazem sentido.

Os protestos e performances em si não nos educam e, se chamam nossa atenção, nem sempre isso é feito de uma maneira positiva. Invariavelmente protestos significam pessoas segurando faixas e cartazes, e gritando palavras de ordem. Apenas quem está “puxando” o protesto tem voz, o restante é massa de manobra e não necessariamente está familiarizado com a situação. Há um lado hipócrita dos protestos, porque seu objetivo é juntar o máximo de pessoas possível, não importa qual seja sua ideologia.

Um protesto pode, inclusive, ser constituído por uma maioria que sequer pratica aquilo que está exigindo dos outros. Um protesto pelos direitos animais pode ser realizado por um grupo de pessoas cuja maioria não seja vegetariana. Um protesto pelo fim da experimentação animal pode ser promovido por pessoas que utilizam produtos testados em animais. Atividades que reúnem grande número de pessoas nem sempre são honestas e esse é um ponto importante a considerar.

Outro ponto importante é a possível antipatia que essa atividade pode gerar nas pessoas. Possivelmente uma pessoa que não pôde chegar em casa na hora desejada porque havia determinada atividade atrapalhando o trânsito não verá com bons olhos a mensagem desse grupo. Uma performance que faça uso de nudez ou que simule intercurso sexual pode não agradar a muitas pessoas, além de gerar o questionamento de como pode um grupo que combate o especismo fazer uso de recursos sexistas para levar adiante sua mensagem. E mesmo que a performance não faça uso desses recursos cabe o questionamento. É uma performance de bom gosto? As pessoas que a assistem entendem a mensagem?

Entendo que ter uma boa relação com a mídia é primordial para o futuro do movimento. Possivelmente no futuro os ativistas contarão com um corpo de especialistas nos diversos assuntos pertinentes aos direitos animais, prontos para fornecer opiniões sobre os diferentes assuntos. O ativismo contará também com uma efetiva assessoria de imprensa. Estar na mídia é importante, mas apenas quando a mensagem a ser transmitida é clara e está livre de distorções. No presente prevalece a idéia de que estar na mídia a qualquer custo é algo vantajoso. Isso está errado. Se for para aparecer em uma situação de ridicularização, ou transmitindo uma mensagem que não condiz com a ideologia, é melhor não estar na mídia.

Igualmente, as ações diretas, tão valorizadas por uns, tão depreciadas por outros, na verdade podem ser consideradas válidas desde que obedecendo a determinados critérios. As ações que se confundem com vandalismo, terrorismo, violência, etc. devem ser combatidas, não porque aqueles que sofrem essas ações mereçam alguma consideração, mas porque a impressão de que determinado grupo pratica violência tem efeito negativo sobre a população. Nós somos a forma como os outros nos vêem. Se educação é a principal bandeira do movimento, convém que as pessoas sintam simpatia pelo mesmo. Invadir um laboratório e dele retirar animais pode gerar simpatia ou antipatia, depende da forma como isso será feito.

Outro problema relacionado à ação direta é o possível destino que poderá ser dado aos animais. Em um determinado momento um grupo bem intencionado de jovens ativistas poderão ter em mãos centenas de cães, gatos, coelhos, furões, macacos, chinchilas, ou seja qual for a espécie animal. O que fazer com esses animais? É óbvio que quase qualquer coisa é melhor do que um laboratório ou uma fazenda de pele, mas simplesmente soltar animais em um ambiente selvagem não é algo bom de se fazer, primeiramente porque não sendo aquele o ecossistema ao qual o animal pertence e tendo esses animais passado suas vidas em cativeiro, suas chances de sobrevivência são mínimas. Em segundo lugar a introdução de espécies estranhas ao ambiente gerará impactos sobre as espécies ali presentes.

Um terceiro problema relacionado à ação direta é que o senso de justiça dos ativistas não condiz com o senso de justiça da polícia. O que uns podem ver como libertação, para outros significa vandalismo, invasão e roubo de propriedade. Ativistas podem ser presos praticando ação direta e precisamos de ativistas do lado de fora das prisões. As ações diretas não devem ser totalmente condenadas, mas menos ainda devem ser encorajadas. Os ativistas são mais úteis aos animais desenvolvendo outras atividades do que se envolvendo com ações diretas.

Enfim, de uma maneira geral, o que difere o ativismo do presente e o ativismo do futuro é que no futuro os ativistas terão mais senso crítico. No futuro as ações serão melhor planejadas, e por isso serão mais efetivas, com menor gasto de tempo e energia. No futuro haverá ativistas especialistas em diferentes assuntos. Haverá materiais de qualidade cobrindo os mais diferentes assuntos, o que evitará que continue a se proliferar a falta de informação e o ‘achismo’. Acima de tudo, o ativismo no futuro se desvencilhará do estigma de atividade de gente desocupada, de gente radical, de gente relacionada ao esoterismo ou hippies. Assumida uma postura mais séria e com uma mensagem mais clara, haverá maior respeito da população e da mídia.

Fonte: www.sentiens.net