sábado, 25 de julho de 2009

Dentro da Mente de um Assassino

O texto abaixo foi traduzido do blog de um homem que ficou conhecido como "The Cyberactivist", que trabalhou em um frugorífico nos EUA e é hoje vegetariano e defensor dos animais. Seu blog ganhou fama internacional e foi recomendado por grandes instituições como a PETA e a WSPCA. Link original em inglês: http://www.cyberactivist.blogspot.com/


Dentro da Mente de um Assassino

Uma questão que nem sequer é considerada por maior parte das pessoas, nem mesmo por aquelas que lutam pelos direitos dos animais, é os efeitos na mente das pessoas que matam as galinhas. Veja bem, a máquina do abatedouro não consegue cortar as gargantas de todos os pássaros que passam, especialmente daqueles que não foram devidamente atordoados. Logo, existe aquele que é conhecido como “matador”, cujo trabalho é degolar tais pássaros para que não sejam escaldados vivos no tanque (é claro que ele não consegue pegar todos eles, mas chegaremos a isso depois).

(Enquanto você lê isso, tenha em mente que o local onde trabalhei era o menor que a Tyson tinha. Eles têm alguns tão grandes que lidam com milhares de centenas de pássaros por turno. É óbvio que eles têm mais de um matador, mas continua sendo apenas um por linha. O que acontece é que têm mais de uma linha.)

Visualize isso: Seu supervisor lhe diz que é sua noite na sala de matança. Você pensa: “Droga, vai ser uma noite dura.” Não importa como está o tempo lá fora, essa sala é quente, entre 30 e 40 ºC. Os tanques de escaldar mantêm a umidade próxima de 100%. Você pode ver o vapor em forma de nuvens. Você veste um avental de plástico para “proteger” suas roupas do sangue e da água quente que limpa o chão e a lâmina da máquina. Você veste as luvas de aço e pega a faca. É bastante afiada. Tem que ser.

Você pode ouvir os berros das galinhas sendo penduradas de cabeça pra baixo na sala ao lado, você pode ouvir os grilhões se fechando. Você pode ouvir os motores que leva as galinhas como numa esteira. É tudo tão barulhento que, se gritar, você não ouve a si mesmo (já fiz isso pra testar). Você precisa se comunicar com as mãos caso alguém entre na sua sala. Apesar de ninguém entrar, ninguém quer. Eles só entram se for extremamente necessário. E com certeza não querem te asustar. Não quando você tem uma faca afiada na mão. Se você se virar de repente...

Aí vêm os pássaros para o matador, pendurados na máquina de matar. É hora de ficar ocupado. Você pode esperar por pegar um a cada 4 ou 5, quantos forem que não estiverem atordoados. Lembre-se, vêm uns 180-185 por minuto. Tem sangue para todos os lados. Na maquina, no seu rosto, no seu pescoço, nos seus braços e por todo seu avental. Você está coberto por sangue. Algumas vezes você tem que lavar o que já começou a coagular, sem tirar os olhos da fila de galinhas. Se você deixa passar uma... E isso certamente vai acontecer.

Você não consegue degolar todas, mas você tenta. Toda vez que você deixa uma passar você ouve o grito horrível que ela faz quando tenta se debater dentro da água escaldante. O pior é que você sabe que a cada uma que você vê assim, existiram 10 que você não viu. Você simplesmente sabe que acontece. Você torce para que a máquina não quebre ou emperre. Você só quer que a noite acabe e que você possa ir para casa. Mas vai levar no mínimo duas horas e meia para o intervalo. Mais de duas horas matando sem parar. No mínimo duas dúzias de galinha por minuto, na melhor das hipóteses; na pior, muito mais que isso.

Esse monte de matança e de sangue realmente te afeta depois de um tempo, especialmente se você não tem capacidade para “desligar” suas emoções completamente e se tornar um zumbi robotizado. Você se sente parte de uma grande máquina da morte. E é tratado como uma. Algumas vezes pensamentos estranhos passam pela sua mente. É só você e as galinhas morrendo. Sentimentos surreais crescem no horror da bárbara natureza do seu comportamento.

Você está matando pássaros indefesos aos milhares. (75000 ou 90000 por noite). Você é um assassino.

Você não pode falar com ninguém a respeito disso. As pessoas do trabalho vão achar que você é molenga. Sua família e seus amigos não querem saber sobre isso. Eles sentem-se perturbados e incertos quanto ao que falar ou como agir. Eles podem até te olhar estranho. Alguns não querem mais nada com você depois de saber o que você faz para viver. Você é um assassino.

No desespero, você manda sua mente para bem longe para que você não acabe como aqueles caras que perdem as deles. Igual aquele cara ajoelhado implorando a Deus por perdão. Ou aquele que foi arrastado pro hospital psiquiátrico por sonhar que galinhas estavam perseguindo-o. Eu tive isso também. [arrepio] É assustador. Você procura outra coisa com a qual se distrair, uma tentativa de sair dessa situação. Você precisa manter a mente longe de se afogar naqueles galões de sangue que você vê. Maior parte das pessoas que trabalham nessa sala ou pendurando galinhas usam algum tipo de estimulante para manter o passo e algum tipo de calmante para escapar da realidade.

Você se torna mais propenso para a violência. Quando você fica nervoso é muito mais provável que você parta para o ataque físico do que a pessoa com a qual você está brigando. Você está muito mais apto a usar uma arma do que antes. Especialmente uma faca. Uma bem afiada. Você é um assassino.

Você começa a sentir desgosto por si mesmo, pelo que você fez e continua fazendo. Você fica envergonhado de dizer aos outros o que você faz à noite enquanto eles estão dormindo em suas camas. Você é um assassino.

As pessoas tendem a te evitar, mesmo as do frigorífico, talvez por instinto ou porque eles sabem o que você faz e não conseguem entender como você pode fazer isso toda noite. Tem que ter alguma coisa errada com você. Você tem o cheiro da morte em você. Você é um assassino. Um assassino em massa.

Você eventualmente desliga as emoções. Você simplesmente não consegue se importar com nada. Porque se você se importar, o portão para os maus sentimentos fica aberto, você não consegue senti-los e continuar trabalhando. Existem contas a pagar. Você precisa comer. Mas não galinha. Você precisa estar realmente esfomeado para comer galinha. Você sabe o que está embutido em cada mordida. Todo o horror e negatividade. Toda a brutalidade...

...concentrada em cada mordida.

Muitas pessoas que fazem isso se tornam violentas. Elas cometem crimes. Os que já eram criminosos escalam em gravidade no que fazem. Você não pode ter uma consciência forte e matar criaturas viventes todas noites.

Você se sente isolado da sociedade, você não é parte dela. Sozinho. Você sabe que é diferente da maioria das pessoas. Elas não têm visões de mortes horríveis na cabeça. Eles não viram o que você viu. E eles não querem ver. Eles não querem nem ouvir a respeito disso.

Se ouvissem, como poderiam comer o próximo pedaço de galinha?

Bem-vindo ao pesadelo do qual escapei. Eu estou melhor agora. Eu me dou bem com os outros, pelo menos, na maior parte do tempo...

Sábado, 31 de Agosto de 2003 - 7h49 da manhã


Imagens- Fonte: PEA

2 comentários:

cissa queiroz disse...

Impressionante esse relato, eu copiei e enviei pra varios amigos e conhecidos que comem carne, e vegs tbm . SE todos mudassem de idéia como eese cara ..

Anônimo disse...

Só que voce percebe-se q pessoas deram a vida para construir galpoes para criar frangos pra sustentarem suas familias, tem coisa ai q vc inventou, eu tbm trabalhei na tayson eu tbm ja matei frangos, ninguem me chamou de assassino, e nao é por causa disso q os outros vao se tornar, vc está mentindo, e coisas assim estragam a vida dos outros, de duas uma ou vc é doido mesmo ou é uma baitola